Luiza Gomes
Fizemos um périplo, de carro, para todos votarem: eu num lugar, mãe em outro, pai e irmão num terceiro. Minha mãe vota no Luiza Gomes, minha primeira escolinha (quer dizer, a segunda, pois a primeira foi em Carmo da Mata, onde fiz um maravilhoso pré-primário, com a tia Edmée.), aquela em que fiz do primário à sétima série. Nossa, como tudo me pareceu pititinho, meudeusdocéu. O pátio é minúsculo, as portas estreitas, tudo nanotecnologia pura. Pra mim, parecia um mundo de grande, cheia de corredores e, agora, é um predinho e só.
Em todo caso, a magia permanece: pense na delicadeza que é um sanitário com a inscrição "meninas" no alto? Se tivesse uma câmera, eu teria tirado foto para vocês. Naquele lugar, fui muito respeitada como criança: se até o banheiro era anunciado como "das meninas" ou "dos meninos", que dirá a linha pedagógica? A gente era muito valorizada por lá (viva as escolas públicas do passado!): dancei "balé" e "jazz" com a tia Gláucia (ah, os ensaios intermináveis ao som do "Danúbio Azul", como eu amava aquilo!), desfilei no 07 de setembro, puxando pelotão (e comendo um pão com mortadela e sodinha que tinha um gosto que eu sei que nunca mais vou sentir), joguei queimada (e não era a última a ser escolhida, por causa da fidelidade amiga da Vandira, capitã do time, que nunca me deixava pra trás e carregava aquela tampinha de óculos desajeitada pra todo lado!), dancei nos bailinhos (íamos embora às 8 da noite e o pai e a mãe iam buscar no portão, mas como era bom dançar com o Márcio!), fiz teatro (fazia o roteiro, atuava, era um barato!), devorei toda a micro biblioteca, e, sobretudo, aprendi a conviver num ambiente brasileiro real: miscigenado, pobre,afetivo, plural.
Se tivesse um filho, queria muito que ele estudasse num lugar assim, mas sei que, dentro da minha lógica pequeno-burguesa, no final ele iria parar mesmo é num ambiente asséptico e refrigerado e estaria cercado para todo o sempre amém de gente muito parecida com ele. Uma tristeza, enfim.
Em todo caso, a magia permanece: pense na delicadeza que é um sanitário com a inscrição "meninas" no alto? Se tivesse uma câmera, eu teria tirado foto para vocês. Naquele lugar, fui muito respeitada como criança: se até o banheiro era anunciado como "das meninas" ou "dos meninos", que dirá a linha pedagógica? A gente era muito valorizada por lá (viva as escolas públicas do passado!): dancei "balé" e "jazz" com a tia Gláucia (ah, os ensaios intermináveis ao som do "Danúbio Azul", como eu amava aquilo!), desfilei no 07 de setembro, puxando pelotão (e comendo um pão com mortadela e sodinha que tinha um gosto que eu sei que nunca mais vou sentir), joguei queimada (e não era a última a ser escolhida, por causa da fidelidade amiga da Vandira, capitã do time, que nunca me deixava pra trás e carregava aquela tampinha de óculos desajeitada pra todo lado!), dancei nos bailinhos (íamos embora às 8 da noite e o pai e a mãe iam buscar no portão, mas como era bom dançar com o Márcio!), fiz teatro (fazia o roteiro, atuava, era um barato!), devorei toda a micro biblioteca, e, sobretudo, aprendi a conviver num ambiente brasileiro real: miscigenado, pobre,afetivo, plural.
Se tivesse um filho, queria muito que ele estudasse num lugar assim, mas sei que, dentro da minha lógica pequeno-burguesa, no final ele iria parar mesmo é num ambiente asséptico e refrigerado e estaria cercado para todo o sempre amém de gente muito parecida com ele. Uma tristeza, enfim.


Por falar em Vandira, encontrei com ela na semana passada e ela pediu pra te mandar um abração :)
bye