No sábado passado, participamos novamente do trabalho com moradores de rua. Fiquei na turma dos adultos, para ver como funciona, e, mais uma vez, me abismei diante dos desafios da tarefa.
O responsável bate um papo com o pessoal, falando sobre Deus e Jesus. Entretanto, a platéia não é, como vocês podem imaginar, muito “quieta”. Durante a conversa, por exemplo, um dos jovens puxou um cigarro de maconha e começou a fumar. Aula interrompida, cara se recusando a apagar, insistência um pouco maior, resistência maior ainda, olhar perdido, colega se levanta, fala alguma coisa no ouvido do outro e ambos se retiram. Lá na frente, relativamente distantes, começam a cheirar cola. Triste e real, enfim.
Lendo assim, talvez pareça que o negócio é meio caótico, mas, por mais paradoxal que possa parecer, me senti em paz naquele lugar. Estávamos sentados embaixo de umas árvores, as andorinhas davam rasantes entre nós e ouvi coisas muito lindas sobre a vida, as dificuldades, os sonhos. Foram palavras que me alimentaram a alma. Senti-me mais uma das criaturas de Deus, partilhando uma experiência única com as andorinhas e as pessoas sofridas que me cercavam.