Também já fui assim...
Fiquei fascinada pelo jeito como ela lida com o trabalho. É idealista, dedicada, e me falou coisas como “a gente precisa fazer esforço para modificar a própria aldeia” e ‘estou fazendo pelos que chegam coisas que não fizeram por mim e é assim que penso que podemos contribuir para melhorar a situação’ etc.
Confesso que me senti uma velha cínica e desesperançada. Diante dos problemas que ela enfrenta, optei pela saída mais fácil: a porta da rua. Sei que não devo me sentir culpada por tentar outras possibilidades e caminhos. O que realmente me incomoda é que ela se parece muito com uma issana que já fui, fez o tipo de comentários que eu faria, há algum tempo. Acho que cabia perguntar, como a poeta, ‘em que espelho ficou perdida a minha face’.
Em todo caso, ainda que muito do meu cinismo seja irrecuperável, há ainda uma centelha de brilho e vontade de fazer o melhor, independentemente da remuneração, das condições externas, materiais. Só é preciso reacender: que venha 2007, que seja na Agência Nacional de Águas.

