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Issanidades

 

Dever Cumprido

Estou fazendo limpeza no meu e-mail profissional. Por precaução, para documentar algumas decisões compartilhadas e respostas dadas, acumulei material que registra conversas e atividades do ano passado. Agora, estou deletando alguns, que não faz mais sentido guardar. Tenho, por exemplo, e-mails do início da concepção de um material que, hoje, já foi licitado e está nas mãos de professores de todo o País. Tudo já se resolveu e, portanto, os e-mails, tão significativos àquela época, podem ser excluídos.

Por incrível que pareça, está sendo gostoso fazer isso, pois, ao dar uma olhada nos e-mails, antes de deletar, estou recuperando a trajetória que já construí no MEC. É bom perceber questões que, num dia, eram insolúveis, aclararem-se e se definirem, mudando a realidade. É bom perceber que pude contribuir, ainda que de forma muito, muito singela, para fazer a diferença, em algum aspecto.

 
 

CADIMIA NEWS

Hoje, fui malhar de manhã e estava 1 quilo mais magra, mas não me deixei enganar. Só vale pesar no mesmo horário, na mesma balança.

(Mas que deu um gostinho bom de estar dando certo, ah, deu...)

 
 

Delícias esquecidas

Estamos ouvindo Legião Urbana, nas nossas idas e vindas de carro, e isso é como ouvir a própria adolescência. Há certas músicas que rejuvenescem, o que me fez pensar que, ao contrário da época adolescente, hoje ouço muito pouco. Perco muito com isso, pois deixo de entrar em contato com minha própria essência.

Taí, é mais uma coisinha para a imensa lista das delícias a serem recuperadas...

 
 

NOTÍCIAS DA ACADEMIA

Ontem, consegui fazer cross não-sei-o-quê (uma espécie de step, muito popular no Big Brother) durante 10 minutos, sem dar as paradinhas que sempre tinha que dar, antes que explodisse de cansaço. Fiquei orgulhosa, pois, da primeira vez, só consegui fazer 2 ridículos minutinhos.

Descobri ainda que aulas de alongamento são minha atividade favorita. Que maravilha, ficar ali, no escurinho, com aquela música tranqüila, o ar condicionado ligado... Não me importo de, ao mesmo tempo, estar bufando e retesando cada musculinho,

(Ficou parecendo descrição de outro tipo de atividade física, mas quis mesmo falar foi das aulas de alongamento... )

O mais legal é que não tenho o mínimo sentimento de culpa do tipo “eu deveria é estar suando e gastando calorias”, pois fui RECOMENDADA para o alongamento. Afinal, tenho que melhorar a flexibilidade, não é mesmo?

 
 

Por que elas não engordam?

Assisti a um documentário sobre “Por que as mulheres francesas não engordam?” (ou algo parecido) e fiquei muito interessada. Quero comprar o livro , dia desses (ou melhor, “dinheiro desses”).

O básico da dieta é reduzir porções, sem deixar de comer nada. A proposta me pareceu super “palatável”. Afinal, adoro saladas e sopas e esses alimentos, pelo que entendi, são super recomendados.

 
 

Ato Falho Emagrecedor

Emagreci 200 gramas, de segunda para terça, sem fazer muita pirotecnia.

Animada, disse para o Silvio que tinha emagrecido 200 QUILOS.

Ato falho sugestivo, não é mesmo?

 
 

O APRENDIZ (post final)

O Bem sempre vence.

(Como sempre, entretanto, senti dó dos derrotados. No caso, da derrotada. A cara de decepção dela era tão parecida com algumas que eu faço, de vez em quando...)

 
 

INSANIDADE

Sempre procuro contar coisinhas do cotidiano, por aqui, mas hoje o que aconteceu foi diferente de tudo que já vivi: o blog começou a pautar o cotidiano.

Explico-me: desde o final da semana passada, arrumei um dor chatíssima num dos dentes sisos (já contei para vocês que tenho os quatro? Moça de juízo tá aqui!). A dor era tão chata e persistente que, não atendendo a todas as recomendações do Fantástico e de todas as pessoas sensatas da face da Terra, passei a tomar voltaren, por própria conta e risco, durante o dolorido fim-de-semana que tive

Cheguei hoje no trabalho e fiquei ensaiando de ir ao dentista. Sabe quando a gente sabe que tem que fazer uma coisa desagradável e que o melhor seria ir logo, mas fica adiando, deixando para depois, postergando? Estava assim e, num desses movimentos “vou, não vou”, pensei em postar alguma coisa, mas logo completei: “ah, mas só quero postar depois de ter resolvido este problema”.

O jeito foi, então, ir ao dentista, para poder postar depois.

Viram só como o blog está ficando importante? Como se não bastassem todas as vezes em que penso “isso daria um bom post”, durante o cotidiano, agora também faço o cotidiano acontecer, para poder postar depois.

 
 

O OUTRO LADO DA CAMA


Silvio conseguiu baixar a trilha sonora deste filme, que nós dois simplesmente idolatramos.

Estamos há umas duas semanas ouvindo o CD, sem parar, no carro, o que fez com que, nos momentos mais inusitados (para não dizer impróprios), me veja cantarolando coisas como “salta, salta comigo!” (atenção para o detalhe do “l’ portunhólico) ou “hay uma cosa que te quiero dissir...” (ou algo parecido). Isso tudo, com a boca bem mole (aliás, chegamos à conclusão que uma boca a la Romário é fundamental para o sucesso do intento) e, muitas vezes, fazendo duetinho sexy.

É coisa louquinha, mas divertida.

 
 

O APRENDIZ

Terça-feira tem disputa Bem X Mal.

(Não é nada pessoal. É apenas um comentário).

 
 

NEM TUDO ESTÁ PERDIDO

Para que vocês não fiquem pensando que está tudo perdido, descobri que minhas pernas têm “medidas perfeitas”.
Já é alguma coisa, não é mesmo?
Que venham as minissaias!

 
 

Tem gente que se sujeita a cada coisa...

Avaliação física, na academia. Vestimenta exigida? Top e short.

Você está, portanto, de barrigão flácido e pernas branconas de fora, e o cara tira fotos suas, com luz impiedosa, espelho em frente e posições do tipo “presidiária” (frente, costas, lado direito, lado esquerdo). Aliás, acho que eles fazem isso (top, luz forte, espelho) para a pessoa começar ali mesmo a dar seu grito de Scarlet O’hara ao contrário (“a partir de agora, passarei fome!”).

Bem, depois das fotos, ele mede o percentual de gordura (ou seja, aperta a balzaquiana, nos lugares mais pançudísticos, com uma espécie de alicate), você se estica numa barrinha (para ver flexibilidade) e anda numa esteira descontrolada.

Ele joga os dados no computador e, com a pança espalhada na cadeira (está de top,coisa linda de se ver), você descobre que:

- 35% do seu corpo é pura gordura e, portanto, tem que emagrecer 5 quilos;

- é a pessoa mais inflexível que conhece (o normal, para sua idade, em termos de flexibilidade, é ter um tal fator 26, mas você, é claro, alcança humilhantes 2 pontos, o que a caracteriza como FRACA);
- não consegue caminhar 8 minutos sequer na tal esteira e, portanto, tem capacidade cárdio-respiratória FRACA;
- tem o ombro direito ligeiramente mais erguido que o esquerdo e o joelho projetado para a frente, o que comprova sua PÉSSIMA postura.

Em resumo, você descobre que é fraca e gorda, mas fica cheia de esperança, repetindo para si mesma: ‘pelo menos agora eu tô cuidando!”.

Tem gente que é otimista, não é mesmo?

 
 

PREVISIBILIDADE

Silvio, hoje de manhã:

- Já sei até qual vai ser o tema do seu post de hoje.

Ele tinha razão. Agora, fiquei na dúvida: será isso uma sintonia finíssima entre o casal ou eu realmente falei demais na cabeça dele, sobre o tal tema? Ah, e há uma terrível terceira opção: sou previsível.

Responde aí, Silvio!

 
 

Na sala de espera

Fui ao dentista, ontem. Na recepção, estava um moço, de uns 18 anos, na cadeira de rodas. A sala estava lotada, e me surpreendi ao perceber que ele era o mais animado de todos, fazendo gracinhas como “ah, se eu soubesse que escutaria esse barulho infernal” - o do motorzinho – “ teria trazido meu walkman” ou “espero que seja minha vez logo, pra acabar a tortura logo”.

Ele conversava com todo o mundo e demonstrava uma alegria de viver que todos nós, ali na sala de espera, estávamos longe de apresentar.

Saí me sentindo minúscula. Como ainda tenho a aprender, meu Deus! Quantas vezes não fico me revolvendo com problemas, no maior vitimismo, enquanto há milhares de pessoas que lidam com os seus, muito maiores, mantendo o alto-astral, a esperança, o bom-humor?

 
 

MAIS SOBRE REUNIÕES

Ontem, escrevi sobre o quanto me impacientam reuniões nas quais não se chega a lugar algum.

Por incrível que pareça, ontem participei de uma, à noite, que foi exatamente o que eu imagino como sendo uma boa reunião.

No Centro, vamos fazer encontro de crianças, em outubro, e essa foi a primeira, para discutirmos como a coisa andará.

Foi muito gostoso o trabalho. Nem vi o tempo passar, tal a quantidade de questões que resolvemos e detalhes que acertamos: equipes de trabalho, dinâmica do evento, cardápio do almoço...

A reunião foi bastante produtiva e ressalto que não foi somente no quesito “coisas resolvidas”, mas principalmente em relação ao clima fraterno, de apoio mútuo, de camaradagem mesmo.

Ah, querida reunião, se todas fossem iguais a você...

 
 

O APRENDIZ

Gostei da Yanne ter saído. Agora, nas semi-finais, ficam meus dois candidatos favoritos (Anselmo e Karine) e a candidata com quem mais antipatizei (Beatriz).

No próximo programa, já tenho para quem des-torcer.

 
 

Tenho mais o que fazer

Fui a uma reunião tão improdutiva que a pressão até baixou.

Tenho horror a tempo perdido. Urticária de causas perdidas. Terror de ficar dando voltas ao redor do próprio rabo.

Admiro pessoas que têm paciência para esse tipo de situação. Para mim, a fila anda, o mundo gira e vamos em frente, que atrás vem gente.

Chorar o leite derramado, sem propor ações (exeqüíveis!) para recuperar alguma coisa, é burrice com a qual até meu corpo se recusa a concordar.
(Observação: considerando que este blog não é anônimo, considerem que este post se refere a uma reunião da qual participei em 1998, ok?)

 
 

"Muito" assustador

Ontem, na localizada, a professora disse para mim:

- Estou gostando de ver. Já melhorou MUITO.

Disse assim, com ênfase no “muito”. Considerando que ela AINDA vem para o meu lado e ajusta, com mãos competentes, a perna no alto, a mão em cima, o pescoço pro lado, o quadril mal-colocado, fico imaginando o que seria pior que essa situação...

Mas, quarta-feira, já sabem, né? Vou voltar!

(E podem me chamar de masoquista, que nem ligo...)

 
 

Comentários Preciosos

Muitas vezes, neste blog, os comentários valem muito, muito mais que o post. No caso do “Descontrole”, minhas amigas demonstraram uma preocupação tão carinhosa que gostaria de partilhar com vocês a opinião delas sobre o assunto. É coisa tão sensata que não merece ficar só numa caixinha de comentários!

Déia (www.muitomaisdemim.blogspot.com)
“Olá querida.Isto é mesmo muito complicado, tem hora que sentimos o desejo de fazer algo já que o interessado não faz né?mas todos temos nosso livre arbítrio, tem hora que não dá pra interferir.acho que talvez uma oração , um pensamento positivo mentalizando esta pessoa pode ajudar, mas com certeza se ela não quiser fazer diferente nada irá mudar.beijos boneca.”

Sabrina (www.jardimdosgirassois.blogspot.com)
”Eu sei bem como é isso, Issana. Já sofri muito com isso, mas cheguei a conclusão que tem certas coisas que não são para nós resolvermos. Por mais que a gente ame, não podemos viver a vida delas e melhorar o que há de ruim. Temos que fazer a nossa parte que é alertar. É muito triste a gente querer ajudar quem não quer ser ajudado. Uma pena mesmo.Um beijo “


Tathy (www.tathyviana.com.br)
” Menina, se vc atende a vontade de acertar a vida dos outros, pode ter certeza de que estara criando problemas para voce e na verdade ajudando muito pouco. Ja passei por isso, eh muito complicado. Podemos apoiar, mas cada um tem seu tempo de resolver a propria vida, do jeito que achar melhor. beijosss!! “

De minha parte, saibam que fico muito agradecida por terem partilhado seus conselhos e experiências. Não imaginam o quanto isso é importante para mim!

 
 

AFEIÇÃO

Incrível como me afeiçoei às crianças do Centro. É um calorzinho na alma tão gostoso... Com elas, recarrego as baterias e vejo o quanto os meus problemas são minúsculos, em relação à beleza da vida.

No sábado, vamos fazer piquenique. Ficamos responsáveis, Silvio e eu, pelo cachorro-quente. Pobres crianças!

 
 

DESCONTROLE

Uma das minhas grandes perplexidades é o auto-boicote que algumas pessoas empreendem. Também faço parte dessa turminha, mas conheço pessoas, de minha relação muito próxima, que conseguem elevar essa capacidade à enésima potência.

Estou vendo alguém que amo se auto-destruindo, e é extremamente difícil lidar com isso. Por mais que repita para mim mesma “cada um colhe o que semeia” ou “todos somos livres e, portanto, responsáveis pelas escolhas que fazemos”, não me conformo com o processo. Minha vontade é de “acertar a vida’ dessa pessoa, é de conseguir que ela se mexa e saia do processo doentio de vitimização. Sofro, pois o processo dela detona em mim um defeito que é muito meu, o da necessidade de controlar tudo e todos.

Vontade danada de pegar pelo braço, levar ao médico, ao psiquiatra, ao padre ou ao pastor! Vontade danada que, entretanto, não posso levar à frente, pois, já sabe, né? “Cada um é responsável pelas próprias escolhas”.

Coisa difícil, muito difícil mesmo. Só Deus mesmo para dar jeito nisso!

 
 

ADMIRÁVEL MUNDO NOVO

Quando li o “Quase Tudo”, da Danuza Leão, comentei por aqui que fiquei fascinada, pois ela teve uma vida tão diferente da minha que me sentia assistindo a algum programa do Animal Planet: “as madames endinheiradas tem hábitos bastante peculiares. À noite, costumam sair – às vezes, vestidas nas peles de outros animais - para o estranho ritual da badalação e ... “

Pois bem, na academia, sinto mais ou menos a mesma coisa. Vejo que há infinitas possibilidades de sermos gente, e que as opções e as escolhas vão determinando diferenças tão significativas que eu poderia até me aventurar a dizer “ratos de academia são de Marte, traças de biblioteca são de Vênus”. Estou longe de querer dizer que certas opções são melhores que as outras (a idade tem feito com que eu acredite cada vez menos nisso!). Elas são apenas... diferentes, isso é muito rico e, como os semelhantes se atraem e acabamos nos cercando de pessoas muito parecidas com a gente, dá um siricotico de estranhamento, diante da diferença.

Também não querendo fazer relações simplistas, pois sei muito bem que uma pessoa que gosta de livros pode também gostar de halteres (eu mesma conheço pessoas assim!), mas é que, para a maioria dos mortais, o gasto de energia faz com que se ‘especializem’ e acabem investindo mais e mais no que gostam, distanciando-se, dessa forma, dos que apreciam e se especializam em outras,

Pois bem. Tenho desvendado algum dos códigos da academia que freqüento. São coisas que eu nunca imaginaria, mas que, por incrível que pareça, funcionam:

1.Camisetonas e calças largas são proibidas. Ou melhor, até que não são proibidas, mas, assim vestida, você chama uma atenção que não mereceria, considerando os quilinhos que quer perder. Em suma, ser discreta é usar top, camisetinha e calça agarradinha. Ah, e uma garrafinha na mão também auxilia no complexo processo de se tornar exatamente igual a todos os outros.

2. Nunca diga “não consigo”. Prefira “não estou a fim de fazer esse exercício super fácil hoje” ou “nossa, você ainda dá esse tipo de exercício elementar?”. Ao dizer que não consegue, ouvirá, inescapavelmente: “foooorçaaa” (ou, traduzindo, “seja menos molenga e deixa de frescura!”).

3. Seu indicador abre a catraca e isso é moderno e incrível, mas não significa que você estará automaticamente apto a agüentar mais que três minutos de abdominais.

Depois trago mais notícias sobre esse universo fascinante para vocês, queridas amigas de Vênus.

 
 

O APRENDIZ

Fiquei chateada com a saída da Paulinha. A menina tinha um histórico fantástico de vitórias e perdeu porque, segundo eles, “não tinha personalidade”.

Foi punida por ser centrada e tranqüila, o que confirma a teoria de que não basta botar os ovos. É preciso cacarejar.

 
 

BRIDGET JONES - VERSÃO TUPININQUIM

Ontem, caí na besteira de fazer uma aula de ginástica localizada. O que aconteceu? Deixo por conta da sua imaginação...

Imagine aquela mocinha de óculos, camisetão largo, lá no fundo da sala, no meio daquele monte de morenas saradas e espertas.

Imagine a mocinha, toda desorientada, usando a perna na esquerda na hora de usar a direita, jogando o corpo para a frente, quando era para jogar para trás, correndo para tomar água, na hora do maior aperto...

Imagine a preocupação da professora, dizendo, com delicadeza, enquanto levanta a perna ou o braço ou o cotovelo da mocinha, na tarefa inglória de ensinar o movimento certo: “olha, fica tranqüila, TODO O MUNDO AQUI TAMBÉM JÁ FOI ASSIM”.

O que será que ela quis dizer com isso?

(Me senti de volta às aulas de educação física, da adolescência e, exatamente por isso, para provar para a adolescente que fui – e que continua guardada aqui dentro - que não sou tão desajeitada assim, volto na quarta).

 
 

PROFESSOR

Fomos resolver uma coisinha hoje na UnB. Depois, comemos um sanduíche.

Estávamos naquela conversa “como é legal este ambiente universitário, cheio de jovens”, quando o chapeiro (homem que faz o sanduíche, que trabalha junto à chapa), disse para o balconista:

- Esse aqui é o X-Salada do Professor.

Só faltei rolar no chão de tanto rir. Sim, amigas, o “Professor” era o meu (velho e bom) companheiro. A gente lá, se sentindo “chovem” pra caramba, e percebe que está no rosto, no olhar, na camisa social e no crachá, a nossa condição de trintões (e professores!).

Tudo bem que ele é professor mesmo – e dos gatinhos –, mas é terrível descobrir, pelo chapeiro, que não basta ser professor, tem que ter CARA de professor.

 
 

Ainda é cedo...

Nem parece que já faz 5 anos. Lembro que fiquei sabendo do que tinha acontecido quando cheguei em casa, para almoçar, e o Ivens correu para a janela: “Issana, tá acontecendo uma coisa muito louca nos Estados Unidos”. Ainda cheguei a tempo de ver a segunda torre cair e de acompanhar os ataques ao Pentágono, e lembro bem dos comentários do Carlos Nascimento: “ainda não se sabe ao certo se há vítimas fatais”.

Ontem, assistimos a parte de um documentário sobre o assunto e eu discutia com o Silvio que também me sinto um pouco como aqueles americanos que não conseguem ir ao cinema, para assistir ao filme sobre o avião que, no mesmo dia, os passageiros conseguiram evitar que fosse atirado na Casa Branca. Também ainda me sinto muito desconfortável com as histórias, com o sofrimento de quem esteve envolvido. Acho que é porque é muito próximo e a identificação é natural: a gente consegue se imaginar, com riqueza de detalhes, exatamente na posição da mulher que recebe o telefonema do marido, se despedindo, ou das crianças que perdem o pai, herói-bombeiro, ou dos sonhos entusiasmados que se apagaram ali.

Ainda é cedo para mim. É cedo para entender a que ponto chega a estupidez humana que, infelizmente, não foi sepultada nos escombros das Torres Gêmeas e continua a vicejar, nos iraques e sudões do muno inteiro.

 
 

Fazendo Terapia

Ontem, na hora de dormir, senti uma alegriinha muito gostosa. Pensei: “meu Deus, tô virando ciclotímica, de onde arranjei todo este gosto pela vida?” (lembrem-se de que era domingo à noite, ou seja, dia internacional dos deprimidos).

Perguntei para o Silvio o que ele achava e ele respondeu:

- Que tal se for porque você falou umas duas horas com o pessoal da sua casa e mais uma horinha com a Beatriz?

Me dei conta então de que era isso mesmo. Falei pelos cotovelos, contei minhas coisas, ouvi o pessoal, dei pitacos na vida deles e, principalmente, dei e recebi amor. Daí, fiquei eufórica e, paradoxalmente, super tranqüila.

Amor é realmente a melhor terapia.

 
 

O APRENDIZ

O que mais gosto no APRENDIZ é que, no fim, a gente acaba aprendendo sobre dois temas que muito me interessam: relacionamentos e carreira. Não me entedio nunca: dou risada, sinto indignação e me emociono.

Ontem mesmo, fiquei impressionada com a falta de naturalidade do participante Nakao. Às portas de ser demitido, pediram-lhe que escrevesse, em 30 segundos, o que o Programa significava para ele. Aí, escreveu uma coisinha assim auto-ajuda, inócua e insincera. Resultado? Foi demitido, é claro, pois o outro participante, aparentemente mais frio que ele, escreveu um texto vibrante, falando de desafio, de superação. Ganhou a espontaneidade, o entusiasmo, e não a síndrome do “vou tentar agradar”.

 
 

História dos Sapinhos

É mais ou menos assim:

Dois sapos caíram numa panela de leite. Um deles começou a dizer:

- Ai, que azar! Nasci mesmo com muita falta de sorte. Já pensou? Tanto sapo pra cair aqui e isso foi acontecer logo comigo... Que tristeza, morrer assim – e por aí afora.

O outro sapo, pelo contrário, começou a se mexer. Plóc, plóc, plóc, plóc. Sem parar.

- Você tá doido, amigo? De que adianta você ficar nessa pulação aí? Guarde suas forças, para morrer em paz. Pra que lutar contra o destino? Adianta pular, não. A panela é grande demais. A gente não sai vivo desta...

E o outro lá, plóc, plóc, plóc.

Final da história? Leite vira manteiga, trampolim perfeito para o sapinho lutador se safar. Nosso amigo reclamão? Ah, não tinha mexido os músculos sapais, então não conseguiu sair, mesmo com as condições oferecidas pela manteiga. Teve o destino que acreditou que teria.

MORAL DA HISTÓRIA: Tô pulando.

Assinado: Issana-Plóc-Plóc.

 
 

COMPLICAÇÕES

Tive uma semana bastante complicada. Além de alguns problemas profissionais (minha nomeação está entaladíssima, o que me deixa desesperançada demais, pois já estava contado com o ovo no fiofó da galinha) e de outros de ordem pessoal, que acho melhor não citar por aqui, fui parar no hospital, atacada por um tal de rotavírus.

Passei a madrugada de terça no banheiro, com diarréia e vômito. De manhãzinha, me julgando nas últimas (afinal, tenho 32 anos, já tive cólicas sérias de rins, mas nunca tinha passado tão “visceralmente” mal), tive que baixar mesmo no hospital.

Diagnóstico feito, passei o dia por ali, tomando soro e fazendo uns exames, para conferir se era mesmo o talzinho. Era. Descobri que, apesar de toda a dramaticidade, não era a única a padecer. Só na salinha de observação, eram mais três pessoas na mesma situação.

Voltei para casa roxinha (a enfermeira não conseguia “achar a veia” e eu é que paguei o pato – no caso, a pata) e “me joguei” no soro caseiro e no dramin. Hoje, estou bem melhor.

Refletindo sobre a fase difícil, vejo que é lúcida a expressão “tudo passa”. Passam as coisas boas, mas também passam as ruins, e é esta a expectativa. Enquanto isso, trato de não entregar ouro a bandido e de fazer limonada de limão. Afinal, se a história dos sapinhos for correta (e eu acredito que é!), vou tratar de me mexer.

Ah, não conhece a história dos sapinhos?

 
 

Agora, é oficial

No sábado, graças ao meu anjo-da-guarda em Campinas (tenho uma amiga lá que já me fez tantos, mas tantos favores, que nunca serei suficientemente grata!), recebi, por SEDEX, o diploma de mestrado.

Acho que nunca me senti tão animada com a chegada de um pedaço de papel (que, na verdade, não deixa mesmo de ser apenas isso...).

Acho que a alegria de ter encerrado etapas é proporcional ao trabalho que elas nos deram.

 
 

Doces Momentos

Na sexta, o Silvio sentiu uma dor de dente e, depois do trabalho, demos um passada no dentista, para ver o que acontecia. Era uma inflamaçãozinha na gengiva, nada do cenário tétrico que imaginamos (lembre, somos pessimistas), do organismo estar rejeitando os implantes.

Já mais aliviados, pois não era nada muito sério, decidimos parar em algum lugar para comer alguma coisa. O primeiro deles foi uma casa especializada em empadas. Não matamos a fome ali, por diversos motivos: quase todas as empadas do cardápio levavam coentro (mania triste essa! Peixe com coentro, ainda vá lá, mas frango, ah, por favor!), elas eram microscópicas (eu juro. A do Silvio, então, ainda veio murcha, uma coisa assim para se comer com uma mordida) e custavam 2,90 cada (juro também que não sou tão pão-duro, mas sei avaliar muito bem a relação custo-benefício).

Saímos dali, imaginando comer alguma coisa em casa mesmo, mas o clima era de sexta-feira e nós, que nunca fazemos isso, resolvemos dar uma esticadinha, fazer uma happy-hour. Paramos num bar, chamado La Rubia, e consumimos filé com fritas e dois chopes. O bar estava calminho (de-tes-to ambientes cheios de gente, de fumaça e de cerveja azeda), nos sentamos do lado de fora, onde uma brisa mansa nos enchia de paz e despreocupação. Namoramos, no sentido mais puro e encantador da palavra.

Que é a vida, se não a sucessão desses momentos singelos, doces e raros?

 
 

Papo escatológico

AVISO FRATERNO: se for sensível, não leia!

Se tenho uma certeza na vida (além da morte, obviamente), é a de que nunca vou sofrer de bulimia.

Agora mesmo estou aqui, me controlando, para não correr ali para o banheiro do MEC e vomitar. É horrível a sensação pós-vômito. Aquele gosto na boca, aquele cheiro de privada Imagine só então vomitar em banheiro público. Isso consegue ser mais humilhante e nojento que em casa, no banheirinho limpinho que a gente sabe quem é que usa...

Desculpe, mas é impossível ignorar, neste exato momento, a vontade de chamar o “Hugo”... Daqui a pouco passa. E eu sei como é que se faz para este tipo de mal-estar passar, mas estou adiando, adiando, adiando. Atitude nada bulímica, enfim.