Logo no domingo, fizemos caminhada em volta do lago de Lambari. Ahhhh, que saudade imensa daquela cidade. Comentava com o Silvio, inclusive, que, de Três Corações, tenho saudade apenas da família, e não do lugar em si. Já no caso de Lambari, sinto falta é da cidade mesmo, do cheiro de mato, do silêncio, dos passarinhos cantando, de manhãzinha, de jantar no Gula e assistir aos velhinhos dançando forró, em plena praça, de tomar caldo de cana e de viver beeem lentamente.
Pois é, mas eu estava contando da caminhada de domingo. Logo que saímos de casa, um cachorrinho nos adotou. Era um cachorrinho daqueles que tem o corpo esticadinho (bassê, eu acho!). Era pretinho e estava mancando da pata traseira. Mesmo assim, fez toda a volta conosco (são mais de 6 quilômetros!), na maior alegria. Dava corridinhas entusiasmadas na nossa frente, voltava, no maior estilo ‘ei, e não é que agora eu tenho donos?’. Abanava o rabinho, latia para os carros (quase morreu atropelado, umas quinhentas vezes, e já nos sentíamos culpados, estressados: “ai, Silvio, agora o carro pega... ah, não pegou, graças a Deus”...), todo animadinho.
No final da caminhada, me senti o monstro mais terrível do mundo. Deixamos o cachorrinho do lado de fora do portão e ele ficou ali ganindo, ganindo. Pode parecer exagero, mas deu uma tristeza enorme, sabe? Moramos muito longe, em apartamento pequeno e não estamos “adotáveis”. O coração cortou demais e vimos o quanto somos escravos das circunstâncias. Não tivemos condições de ser mais “cachorrinhos”: livres, entregues ao afeto do outro, sem condições.
Silvio ainda levou pão para ele, lá fora. Fiquei da varanda, olhando o bichinho ganir. Cena triste, de verdade. Dá vontade de chorar até agora.
(Ai, que post depressivo, hein? É que fiquei com dó do cachorrinho e fiquei querendo ser menos complicada, mais disponível...)