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Issanidades

 

Unha Encravada - o Retorno

Uma vez, li num blog que há outros blogs tão irrelevantes que, neles, comentam-se coisas significativas como unhas encravadas.

Pois então, saibam vocês que minha unha voltou a encravar.

 
 

CAFÉ-COM-LEITE

Lembra quando a gente jogava e as criancinhas menores que nós brincavam juntas, mas tudo que elas faziam não valia e a gente as chamava de “café-com-leite”? Ficavam por ali e a gente fingia que elas participavam, mas, na verdade, elas não contavam no jogo.

Aqui no MEC estou assim, uma coisa café-com-leite: como estou esperando a nomeação para cargo em outra instituição, já passei o serviço para as colegas e fico por aqui, fazendo uma tarefinha ou outra (fui à sala da chefe e pedi serviço, pois não agüentei o marasmo total!), mas sem maiores comprometimentos, até ser chamada.

Não vejo a hora de virar gente grande de novo!

 
 

A gente é que ganha pouco...

Estamos dando uma olhada em academias aqui em Brasília. Tudo na base do cento isso, cento aquilo, uma coisa.

Como diria meu pai, não é que isso seja caro. Nós é que ganhamos pouco. Pelo visto, muito pouco.

 
 

NOVO PROJETO

Uma das coisas que tem animado meus dias é um projeto que estou gestando.

Quando estiver mais avançadinha na proposta, conto e divulgo por aqui.

 
 

A-gosto de Deus

Sempre tive para mim que agosto é um mês especial. Talvez por ter ido a um centro, pela primeira vez, há 17 anos, exatamente no mês de agosto, ele tem o sabor das novas experiências, do recomeço.

Ontem, choveu um pouquinho no bairro onde moro. Nesta época, isso é coisa rara por aqui. Abri a janela e fiquei um bom tempinho, sentindo aquele cheiro de terrasfalto molhado: cheiro de renovação no ar.

 
 

Conselho Inesquecível

Diálogo ouvido por aí, em algum lugar, entre pessoas que vocês podem conhecer (ou não):

- Vocês têm tudo para dar certo: amor, saúde boa, condições financeiras regulares...

- É, mas nossos gênios são incompatíveis.

- Ah, mas aí já é querer demais, né? Deus dá o cenário, mas os atores é que definem o enredo.

 
 

ANEMIA GENTE FINA

Descobri, com os exames que fiz, que estou com anemia mediterrânea.

Alguém tem sugestões caseiras para o tratamento? A médica disse que é genético e nem receitou nada. Mas eu, como boa hipocondríaca, quero me livrar logo disso (se nunca tive, é porque não é normal, concordam?).

E que venham os bifes de fígado!!

(Pelo menos o nome é chique, não é mesmo?)

 
 

AMIZADE

Deus é muito bom. Justo na semana em que voltei ao trabalho (com tudo o que uma “semana-de-volta-ao-trabalho-após-uma-deliciosa-jornada-de-férias” acarreta), recebi manifestações de carinho inesperadas e gostosas. Esse carinho suavizou os problemas e dificuldades da semana de retorno.

Na segunda, fui almoçar na casa da Ana Paula, com a mãe e a irmã dela (que, aliás, está gravidíssima!). Nossa, como foi acolhedor! Elas foram super simpáticas e agradáveis... Depois, me sentei com a Kelly (cachorrinha da família que também é parte da família – aliás, acho que a Ana vai até reclamar da palavra “cachorrinha”...) deitadinha do lado e fiquei alisando a barriguinha dela. Imaginem a cena: nós, sentadas, conversando sobre a vida e a Kelly ronronando, satisfeita.

Saí com as energias renovadas. Cheguei no baixo-astral com alguns problemas profissionais e voltei mais calma, animadinha mesmo.

Ontem, recebi a visita de minhas amigas Andréa e Raquel. Elas são de Três Corações e estão em Brasília, fazendo turisminho. Almoçamos juntas e falamos do (meu) antigo trabalho, das novidades. Também contei como é minha vida aqui, mostrei o MEC para elas (nossa, que turiisssmo!) e tiramos fotos.

Ganhei forças e me senti amada, cercada por gente que me quer bem.

Isso é bom demais, não é mesmo? É bom demais e prova que, mesmo em Brasília, longe da família, é possível desenvolver e manter laços afetivos fortes, desinteressados e acolhedores.

 
 

SOLICITAÇÃO

O apartamento onde moro custa cerca de R$150.000,00. Sonhamos em começar a vida com um deles.

Alguém se habilita em começar a passar o chapéu??

 
 

Resgate "sotacal"

Televisão mineira é uma delícia. Todo o mundo falando Calllrrta, polrrta...

Vou voltar para Brasília com o sotaque recuperado.

 
 

Planos

Já estou ficando de "bode", por deixar os pais. Me acostumei com a vidinha descompromissada e mansa, cercada de carinho e afeto. Entretanto, não posso negar que estou cheia de planos para o retorno a Brasília: fazer academia, tratar dos dentes, fazer estudo no Centro...

O show tem de continuar.

 
 

Contando carneirinhos....

Estou gostando cada vez mais do enteadinho. É uma criança super inteligente e carinhosa. Para dormir, ficávamos contando carneirinhos: "o primeiro carneirinho é pré-adolescente e vai de mochila fashion para a escola". "O segundo carneirinho está fazendo esteira e tem uma toalhinha no pescoço, para limpar o suor - afinal, com toda aquela lã, é difícil malhar". "O terceiro carneirinho está no dentista, fazendo clareamento dentário"...

Chegamos ao carneirinho 41.

Chorei de rir.

 
 

BOADRASTA MALVADA

E por falar no (p)enteado, num dia desses, o pessoal da família queria fazer uma novela, para distrair as crianças. Brinquei que queria ser a Madrasta Malvada.

As crianças rolaram de rir.

Os adultos fizeram uma cara tão assim, digamos, chocada.

Meu Deus, onde está o senso de humor??

(Ainda bem que o maior interessado -Lucas- riu pra caramba e percebeu que era brincadeira. Afinal, ele inclusive me apelidou de BOAdrasta...)

 
 

A primeira pedalada, a gente não esquece.

Já contei por aqui que o Silvio tem um filho, não é mesmo? Estamos passando as férias no circuito Três Corações-Lambari e o Lucas nos acompanha, pois também está de folga.

Em dois dias consecutivos dessas férias, nos dedicamos a ensiná-lo a andar de bicicleta.

Nos primeiros momentos, foi uma dificuldade de desanimar. O rapazinho não se equilibrava e nós ficávamos segurando a bicicleta, enquanto ele dizia para si mesmo "pra frente, eu tenho que olhar pra frente, pra frente" e caía umas quinhentas e oitenta e nove vezes.

Depois, com um pouquinho mais de treino, já conseguia dar a primeira pedalada mas, mesmo sob meus gritos de "pedala, Robinho!" "você está melhorando!", "você consegue!", "todo o mundo consegue, por que só vc não conseguiria?" (juro que falei isso... Será que foi errado??), ele não conseguia avançar.

Estávamos suados e cansados.

Foi então que aconteceu. Enquanto olhávamos distraídos as infindáveis tentativas dele, o milagre aconteceu: Lucas deu a primeira pedalada, a segunda, a terceira... Se jogou no retão do Parque, tateante, mas equilibrado senhor dos pedais.

Foi uma cena linda mesmo. A professora que existe em mim não resiste à maravilha do aprendizado, da superação...

Gravei a cena do coração. Impossível esquecer o menino de 9 anos que aprendeu, em cima de uma bicicleta velha e alugada, que o esforço compensa, ainda que não seja imediato.

(Silvio está todo "lanhado": arranhão no calcanhar, roxo na batata da perna. Tá pensando que é fácil ser pai? Tem que participar, ou melhor, tem que ralar!)

 
 

PETRÓPOLIS

Visitamos. Fiquei horrorizada com aquelas casas construídas com morros atrás. Me deu agonia. Morando ali, teria medo o tempo todo. Encostas deslizam, desmoronamentos acontecem.

Não eram só casinhas pobres. Eram verdadeiras mansões, esparramadas pelos sopés das montanhas. Para mim, é estranho.

Ah, achei que o Museu Imperial é o máximo. É o tipo de turismo que aprecio, entrar na intimidade de quem viveu há muito tempo e imaginar o que pensavam, quais eram os horizontes daquelas pessoas... NO caso, pessoas tão “nobres”, que faziam suas necessidades no penico e morriam de tuberculose aos 20 anos.

Ah, Silvio me achou parecida com a Princesa Isabel. Segundo ele, tenho o mesmo olhar. Estou me achando...

 
 

O CAÇADOR DE PIPAS

Recomendo total e irrestritamente. Passei o dia lendo. Delicadeza pura.

 
 

OVERDOSE

No domingo, fomos ao cinema. O horário que estava na página da Internet estava errado e, para corrigir o erro, o cinema nos autorizou a assistir a dois filmes.

Vimos “Os Sem-Floresta” e “Super Man”.

Overdose total: 4 horas seguidas dentro de um cinema. Adorei.

 
 

Amizade

Senti alguma falta do Issanidades, durante o tempo de silêncio forçado das férias. Não foi uma grande falta. Tenho pensado (mais uma vez!) sobre a incapacidade de me fazer inteira nas coisas que nele escrevo. Para meus olhos auto-críticos, o blog padece sempre de superficialidade de dar dó. É tudo tão assim alegrinho e satisfeitinho que pareço uma mulher bem-resolvida, cheia de conquistas, super animada, o tempo todo. Até as tristezas têm que ser dosadas, para não me expor (e não expor outras pessoas).

Enquanto meu interior é um quarto bagunçado, cheio de espaços escuros, migalhas de comida antiga e poeira, o blog parece uma sala de terapia intensiva, branquinho, cheio de azulejos, onde se deve entrar de pantufas e máscara cirúrgica.


Pensei isso porque fomos para a casa da Beatriz e, numa noite de quarta-feira, depois de um rodízio de pizza superficial e socialzinho, chegamos no apartamento dela e, meninos e meninas, vocês não imaginam que CATARSE realizamos. Fui despejando mágoas e rancores e sendo sincera de uma forma que não sabia que seria capaz de ser. Falei, ouvi, fiquei engasgada de vontade de chorar, voltei a falar, combinei coisas. E a Beatriz ali, ouvindo e opinando, com a maior sensatez que já vi numa pessoa. Evolução espiritual em carne, osso e compaixão pelas minhas dores íntimas (dores que, até então, eu não tinha tido coragem de nomear e de vomitar para o mundo, e que estavam me destruindo).

Depois de tudo, dormi o melhor sono dos últimos tempos. Vi que só o olhar atento e as palavras sensatas de quem se importa verdadeiramente conosco podem realizar aquilo que, em algum momento, eu esperava encontrar no blog. Santa ingenuidade...

(Mas continuo por aqui. Afinal, se é certo que o Issanidades não serve para fazer altos desabafos, serve para outras coisas tão úteis como semear novas amizades, falar de bobagens, do cotidiano, de projetos e realizações).

O blog, enfim, continua com a programação normal.

 
 

Colcha de Retalhos II

Olha só que lindo o que a Fictícia escreveu nos comentários:

Na minha colcha teria uma imagem de uma praia de Santa Catarina que amo inexplicavelmente; do meu filho me olhando com olhinhos castanhos em seu nascimento, enquanto eu era recosturada na mesa de cesária; um dia no zoológico, com minha mãe deitada em um cobertor estendido no chão na área de piquenique e minhas irmãs com calça boca de sino cor de rosa.

Obrigada, Fic!

 
 

Colcha de Retalhos

Estava assistindo ao Jornal Regional da EPTV (retransmissora da Globo, no interior de São Paulo e Sul de Minas) e vi uma matéria super fofa, sobre umas senhoras que se uniram para compor uma colcha de retalhos. Cada uma delas contou, em retalhos, pedaços da vida que viveram, num acampamento de sem-terra. Uma delas, inclusive, se curou de depressão, ao colocar em imagens o sofrimento e a dificuldade do que viveu..

Fiquei bastante pensativa (aliás, o que mais tenho feito, nas férias, é pensar). Gostaria de propor que fizéssemos esse exercício: se tivesse que escolher imagens, quais estariam nas colchas de retalho que vocês costurariam, a partir das histórias de vida?

Vamos lá, vou começar:

CENA 1: uma casinha de telha de amianto. Não há luz e a água vem de cisterna.
CENA 2: uma sala de aula. Óculos e pó de giz. Muito pó de giz.
CENA 3: Pôr-do-sol em Brasília.

Depois eu continuo, tá? Vou ali arrumar cozinha para minha mãe. Espero que vocês se animem.

P.S.: Já viram o filme Colcha de Retalhos? Muito legal!

 
 

LINGÜICINHA

Logo no domingo, fizemos caminhada em volta do lago de Lambari. Ahhhh, que saudade imensa daquela cidade. Comentava com o Silvio, inclusive, que, de Três Corações, tenho saudade apenas da família, e não do lugar em si. Já no caso de Lambari, sinto falta é da cidade mesmo, do cheiro de mato, do silêncio, dos passarinhos cantando, de manhãzinha, de jantar no Gula e assistir aos velhinhos dançando forró, em plena praça, de tomar caldo de cana e de viver beeem lentamente.

Pois é, mas eu estava contando da caminhada de domingo. Logo que saímos de casa, um cachorrinho nos adotou. Era um cachorrinho daqueles que tem o corpo esticadinho (bassê, eu acho!). Era pretinho e estava mancando da pata traseira. Mesmo assim, fez toda a volta conosco (são mais de 6 quilômetros!), na maior alegria. Dava corridinhas entusiasmadas na nossa frente, voltava, no maior estilo ‘ei, e não é que agora eu tenho donos?’. Abanava o rabinho, latia para os carros (quase morreu atropelado, umas quinhentas vezes, e já nos sentíamos culpados, estressados: “ai, Silvio, agora o carro pega... ah, não pegou, graças a Deus”...), todo animadinho.

No final da caminhada, me senti o monstro mais terrível do mundo. Deixamos o cachorrinho do lado de fora do portão e ele ficou ali ganindo, ganindo. Pode parecer exagero, mas deu uma tristeza enorme, sabe? Moramos muito longe, em apartamento pequeno e não estamos “adotáveis”. O coração cortou demais e vimos o quanto somos escravos das circunstâncias. Não tivemos condições de ser mais “cachorrinhos”: livres, entregues ao afeto do outro, sem condições.

Silvio ainda levou pão para ele, lá fora. Fiquei da varanda, olhando o bichinho ganir. Cena triste, de verdade. Dá vontade de chorar até agora.

(Ai, que post depressivo, hein? É que fiquei com dó do cachorrinho e fiquei querendo ser menos complicada, mais disponível...)

 
 

E por falar em música...

Saímos de Brasília às 2 e meia da madrugada, no sábado. Pegamos a família de surpresa (casa desarrumada, barba por fazer, emoção sincera e acolhida afetuosa, uma coisa deliciosa de se ver!). Ainda deu para ver o jogo do Brasil (triste cena) ao lado do pai e do irmão mais novo. (Não foi ainda dessa vez que deixei de assistir a algum jogo da Copa ao lado do pai. Graças a Deus!).

Viemos na maior paz, ouvindo música. Silvio gravou, entre outras coisas mais palatáveis para os comuns dos mortais, as músicas daquele filme meu-Deus-do-céu-como-é-ridícula-a-adolescência-que-se-perpetua Dirty Dancing, de forma que vim gritando, a plenos pulmões, com toda a afinação com que fui abençoada, hinos como “hungry eyeeess” e “hey, baby”. Um verdadeiro tormento, eu sei. (Mas que foi bom, ah, foi...)

Estão pensando que nos limitamos à trilha sonora adolescente? É claro que não, pois, de minha parte, havia também a contribuição do período forrozístico. Viemos entoando também mantras como “sou o internauta do amor/é muito fácil de acessar/ponto com ponto Br pra amar” ou “você não vale nada/ mas eu gosto de você”.

Sou mesmo pessoa fina, de gosto musical apuradíssimo.

 
 

O artista vai aonde o povo está!

No dia em que fui fazer exame de sangue (lembram que da última vez dei uma desmaiadinha básica), havia uma moça, de voz linda, cantando MPB, dentro do laboratório. Fiquei ali, prestando atenção nela, enquanto levava a picadinha.

Sur-re-al: sete horas da manhã, laboratório asséptico, um banquinho, um violão, uma voz quente e muita música boa.

Inventam cada coisa. Cada coisa boa.

 
 

Enfim, férias!

Teclo, neste momento, do computador que fica no meu antigo quarto, na casa de meus pais. Estou de volta ao começo. Deste micro, dei os primeiros passos para o mestrado e “conheci” dois grandes amores (com um deles, inclusive, vivi, aos 31 anos, a ousada experiência de sair de casa, de mudar de cidade e de emprego, coisas que pareciam improváveis...).

É bem gostoso estar aqui. Ao mesmo tempo que recordo os tempos tranqüilos em que meu universo era vivido, em grande medida, a partir dos comandos deste teclado, também é reconfortante saber que ‘dei o passo”, que avancei, vivi, arrisquei, amadureci. É claro que há muito que se fazer, sobretudo no quesito “amadurecimento”, mas estou relativamente satisfeita com as escolhas feitas, com o movimento que para mim mesma criei.

Se viver é tentar, confesso estar vivendo intensamente.