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Issanidades

 

CRASH

Minha alma foi tocada por este filme. Terminei de assistir tão impressionada que até voltei a sonhar com inundações (já percebi que sempre que sonho com inundações, é porque, de alguma forma, o inconsciente foi atingido, nas suas profundezas. É como se ele estivesse, com a força de uma enchente ou de uma inundação, querendo me atingir - e atinge, pois sempre saio desses pesadelos muito, muito angustiada).

No começo, achei que fosse uma chatice, aquele tipo de filme-cabeça-inteligente que me deixa com cara de “dâ”, doida pra fazer qualquer outra coisa, e não estar ali, refém de uma hora e meia de tédio (filmes que têm lutinhas também fazem o mesmo efeito). Não estava entendendo nada, mas fiquei mais tranqüila quando o Silvio disse que também não estava entendendo lhufas.

Aos pouquinhos, fomos nos envolvendo com o filme e, gente, que es-pe-tá-cu-lo. Um verdadeiro soco na boca do estômago. Ri e chorei, pensei na vida e tive pesadelos. O que todo o mundo diz sobre o filme também foi minha impressão: trata-se mesmo de um roteiro que faz a gente reconhecer (ou lembrar) que pessoas “boas” podem fazer o mal e pessoas “más” podem fazer o bem. Enfim, é a velha história: de perto, ninguém é normal. De perto, ninguém é totalmente previsível. Todos têm cascas e profundidades complexas. Enfim, rótulos podem apaziguar nossa necessidade de catalogar e classificar pessoas, mas são fictícios e inoperantes.

Uma outra coisa que me fez pensar muito foi a relação pais e filhos-adultos. Me identifiquei muito com as cenas ligadas ao assunto. Nossos pais se transformam, em algum momento, em nossos filhos e isso é uma das mais lindas expressões de amor que podem existir. Mais que isso, em algum momento, deixam de ser figuras de autoridade e passam a ser somente amigos, daqueles incondicionais. E que riqueza há nessa transformação! (Sei que as relações são complexas e nem sempre é essa maravilha toda, mas comigo, por dádiva divina, é assim: vivo com meus pais uma relação de carinho, proteção e amizade profunda e incondicional. Legal, né?). Enfim, o filme trata disso, em algum momento, e ‘me encontrei’.

Recomendo.

 
 

SINCRONICIDADE

Vou fazer concurso para técnico em recursos humanos. Lendo um pouco da matéria, descobri que meu tema de mestrado tem tudo a ver com a área. Apesar de ter me proposto a fazer um trabalho em educação, tangenciei PRA CARAMBA temas muito caros ao assunto. Legal como as intersecções vão se fazendo, na vida, sem que tenhamos (plena) consciência, não é mesmo?

Mesmo sem ter a mínima idéia de que, em algum momento, trabalharia em organizações, no setor de RH, fui me aproximando da área, por interesse pessoal. Aliás, o encanto possível de ser extraído da minha dissertação é, na minha opinião, totalmente ligado aos textos que tenho lido a que, na época, não me acerquei, até pelo formato que esbocei para o trabalho.

Sincronicidade é magia disseminada pelo tempo.

 
 

VIDA EM APARTAMENTO

Quando moramos em apartamento, nos acostumamos com:

- barulhos difusos – em casas, é de lei: qualquer barulho estranho é sinal de que um gatinho atravessou o telhado ou o vento derrubou as xícaras. Em apartamento, mesmo em total silêncio, mesmo assim estamos cercados por sons como o de uma tampa de panela que cai aqui ou de uma porta que se bate ali. Gente, como demorei a me acostumar com isso! No nosso caso, por exemplo, temos um vizinho super animado, que conta para a mulher( e para quem estiver usando o banheiro, do nosso lado), em voz beeemm alta, enquanto se esfrega (isso já é por conta da minha imaginação), cada segundinho do dia que passou. De vez em quando, ouvimos um sussurro ou outro dela (ele fala alto mesmo!) e ele retoma, entusiasmadão. Às vezes, deixo até para escovar os dentes depois, de medo de estar invadindo (demais) a privacidade dos vizinhos (sei lá... mesmo sabendo que ele é o responsável, acabo me sentindo enxerida...).

- área comum – em apartamento, a preocupação com a área comum se resume a pagar a conta (salgada) do condomínio, no final do mês. Em casa, é preciso sempre pensar no mato que cresce, em lavar a varanda...

- porteiro e zelador – em apartamento, são uma verdadeira instituição. Sabem de tudo (e da vida de todos, é claro) e estão por ali, doidos para consertar uma pia e ganhar a grojetinha de praxe (pelo menos, os nossos são assim. E os de vocês?)

- lixo – ah, o lixo. Essa foi uma das coisas que mais estranhei, na vida em apartamento. Pegamos nosso lixinho e colocamos numa saletinha, que fica na subida da escada. No outro dia, ele não está mais lá. Sei que é mais uma das maravilhosas e incríveis atividades dos zeladores, mas acho uma coisa muito, muito estranha. Por que não se costuma colocar a sujeira lá embaixo mesmo, no lixão comunitário?? Não é sintoma de irresponsabilidade não dar “fim” ao próprio lixo? (Aliás, acho que é... Merece um outro post, esse assunto de ‘eu e o lixo’, ‘nós e o lixo’. Fica para uma outra vez!).

- aperto – morro de saudade de ter um quintal enorme, com roupinhas estendidas ao vento. Aliás, tenho saudade mesmo é de pegar um bom romance e sentar para ‘quentar’ sol, nas manhãs frias de Lambari, com o Silvio do lado, também lendo...

Enfim, ainda não me decidi sobre o que prefiro. Certamente, são experiências distintas. Agradeço a vida por ter me oferecido essas oportunidades. No futuro, quem sabe não experimento uma cápsula espacial?

 
 

DIÁLOGO

A Pelagia (www.rapanui.blogspot.com) escreveu, dialogando com meu texto “Desabafo”. É muito legal esse negócio de blog, não é mesmo? “De repente, não mais que de repente”, a gente descobre que as experiências que vive são muito parecidas com as das outras pessoas. Isso nos faz menos solitários, nas nossas alegrias, tristezas, angústias, raivas e perplexidades

 
 

34

Silvio provavelmente vai ficar na 34º colocação, num concurso aí que ele fez.

É a mesma colocação que ele atingiu em TRÊS outros concursos. Num deles, o número de candidatos era estratosférico e ele lá, trinta e quatro.

Estou pegando MUITO no pé dele:

- Te amo por 34 motivos.

- Será que vamos levar 34 minutos para chegar ao trabalho? Que trânsito encalacrado!

- Ficamos noivos quando você tinha 34, hein? É um sinal, é um sinal...

- Você vai ter que tirar 3x4 para o curso de formação?

- Passa para me pegar às 17 e 34??

 
 

Desabafo

Desde muito novinha, desenvolvi táticas e mais táticas para ‘otimizar’ o tempo. Nestes dias, por exemplo, dou atendimento a três estados, no Pró-Letramento, estudo para três concursos, cuido de casa, faço dança de salão e participo de atividades no centro espírita, nas segundas e nos sábados. Além de tudo isso, ainda é preciso cultivar o relacionamento, algo que, obviamente, não é tarefa, mas prazer, o que não impede que me ocupe também o tempo.

Para dar conta, sigo o lema do ‘faça bem feito, para não precisar fazer de novo’. Dessa forma, quando estou estudando, estou MESMO estudando, totalmente concentrada. No trabalho, anoto tudo numa agenda, para dar retornos certos e ter controle sobre minhas ações. Além disso, procuro ser impecável nas tarefas, não para aparecer ou algo parecido, mas para ganhar tempo para poder atuar em outras frentes. Em casa, por exemplo, enquanto lavo a roupa, também faço o arroz e leio uma revista (juro que consigo fazer isso tudo, com boa chance de sucesso!).

É exatamente por tudo isso que não existe coisa que me irrita mais que a incompetência alheia, interferindo na dinâmica que desenvolvi. É terrível descobrir, depois de muito esforço, que terei que refazer o trabalho, não por falha minha, mas dos outros.

(Obviamente, não vou entrar em detalhes, para não ferir eventuais leitores. Pelo contrário, o desabafo se relaciona a um setor indeterminado da minha vida, e o fato não-detalhado aconteceu em qualquer lugar. Aliás, quem disse que aconteceu comigo?)

 
 

CANETÍVORA

De-vo-ro todas as tampas das minhas canetas.

Fase oral mal resolvida esta, hein??

 
 

Semideuses

Ontem, fui com o Silvio buscar umas coisas que ele tinha esquecido no trabalho.

Fiquei no estacionamento, esperando.

Enquanto isso, observava o pessoal indo embora. Dentre essas pessoas, havia alguns senhores de cabelo branco e terno.

Pensei em quantas decisões essas pessoas tomam, diariamente, e que modificam a vida de tantos e tantos brasileiros.

Carregavam suas pastinhas, melancólicos. Tão humanos...

(E pensar que são chamados de semideuses, esses senhores.)

 
 

TLEC

Há uma senhora, de uniforme do pessoal da limpeza, que, todo dia, se encosta num cantinho (deve estar em horário de almoço) e fica acompanhando o movimento do restaurante do MEC.

Enquanto olha o movimento, ela estoura plástico-bolha. Sem parar.

Tlec-tlec-tlec-tlec.

O que será que ela pensa, enquanto tlec-tlec-tlec?

Tenho vontade de pedir para ela um pouco do plástico, para tlec-tlec também.

 
 

BOICOTE

Estava pensando em fazer uma lista das ‘coisas-de-que-gosto-bastante-mas-faço-muito-pouco’. Já pensei em dois itens da lista:

Conversar com a B. – Gosto tanto, mas acabo não ligando, ela não liga também e ficamos nisso, sem a terapia mútua que fazíamos antigamente.
Ler Mário Quintana – Tudo que leio dele, a-m-o . Entretanto, nunca peguei algo para ler, de um jeito assim, mais intensivo. Estranho, não é mesmo?

Será que todo o mundo é assim ou só eu me boicoto??

 
 

ÍDOLOS

Estou irremediavelmente viciada em “American Idol”. O pior é que agora também passa, no SBT (olha a propaganda aí, gente!), a versão brasileira: ÍDOLOS.

Preciso contar que assistimos ao americano, das sete às oito, e emplacamos com o brasileiro, mais tarde?

Vício é triste.

 
 

MAIS UMA DA SÉRIE “RECOMENDO”

Já contei que estamos fazendo dança de salão?

 
 

PESQUEIRA

Estou acompanhando a implantação de um programa do MEC, em Pernambuco.

Num dia desses da Semana Santa, estava assistindo ao Jornal Nacional com meu pai e passou uma reportagem sobre a seca no Estado.

Achei tudo tão triste. Água é coisa tão fundamental (e tão desperdiçada, em terras mais abençoadas pela natureza) que a vida daquelas pessoas me pareceu se limitar à busca de água, à lida com a falta dela, à sobrevivência em condições tão difíceis.

O que me chamou a atenção foi o nome do município onde foi gravada a reportagem.

Era Pesqueira.

Para mim, Pesqueira era apenas uma ficha de adesão ao Pró-Letramento, que eu guardava numa pastinha e incluía numa planilha de Excel

Depois da reportagem, resgatei em mim valores caros como o compromisso profundo com o serviço ao ser humano. Caí em mim sobre a importância que o meu trabalho ‘de barnabé mal-remunerada’ pode fazer, em determinadas localidades.

(Nem tudo é preguiça ou individualismo, no estranho mundo do serviço público...)

 
 

LEIS UNIVERSAIS

Conversa minha e do Silvio, ontem, indo de volta para casa:

- Então, Issana, dizem que a mulher do RH está tendo muito trabalho, pois tem que ligar para as pessoas que estão na lista do concurso, nem sempre os encontra e então é melhor não prorrogar o concurso.

- Menino, que motivo, hein? Mas acho que é bem por aí: nada impede mais o serviço acontecer que a atávica preguiça de um servidor público.

Eu tinha acabado de definir a Primeira Lei Universal do Barnabé.

- Então, não é um absurdo? Tentamos então falar com o Presidente e acabamos sendo recebidos por um assessor, que também passou no concurso e não sabia que estava havendo lobby para a não-prorrogação.

- Ah, então vocês podem conseguir alguma coisa, sim. Pois nada facilita mais o serviço acontecer que a incrível capacidade de um servidor público para cuidar dos interesses pessoais.

Pronto, era a Segunda Lei Universal.
(Antes que me joguem pedra, esclareço que TAMBÉM sou servidora pública e TAMBÉM me rendo as duas leis universais, apesar de lutar, constantemente, para superá-las) LE

 
 

Dica

Uma das coisas mais legais do mundo blogueiro é a possibilidade de compartilhar experiências pessoais, vivências e ‘sacações’.

Pensei nisso lendo o último texto do Silvio (www.olhosquefalam.blogspot.com).

Recomendo.

 
 

SÁBADO DE ALELUIA COM A TERCEIRA IDADE

Também saímos com nossos amigos, B e G.

Passamos horas conversando. Só saímos do bar depois que os garçons começaram a levantar as cadeiras e a apagar as luzes.

Fomos para baile no Clube Três Corações.

Baile da terceira idade.

Surreal (e muito lindo!) ver o casal de pessoas de cabelo branquinho, bailando ao som de “Você é um negão de tirar o chapéu, não posso dar mole, se não você créu...”

 
 

ERA DO GELO II

Assistimos a “Era do Gelo II”.

Amamos. Recomendo.

Meus personagens preferidos são os gambazinhos.

Agora, só me despeço do Silvio e dos meus irmãos fazendo caras e bocas de gambá.

E eles respondem assim também.

Família de doido

 
 

Maratona

Dezessete horas sacolejando dentro de ônibus cheirando a mofo. Trocar de veículo uma vez, pois o primeiro estava com problemas mecânicos. Mais tarde, ter que sair, na madrugada escura de uma rodovia deserta, e ficar em pé, por uns minutos, caindo de sono, porque a balança (meu Deus, que balança?? Imaginem só o que me passou pela cabeça!) tinha disparado e era preciso que quinze primeiras pessoas (as dos primeiros bancos, e adivinhem onde eu estava sentada?) saíssem, para o motorista voltar e pesar novamente e pegar a gente de novo (nunca imaginei que ônibus fossem pesados, no caminho. Nunca pensei também que fosse possível essa manobra de ‘deixo os passageiros aqui, volto lá, ajeito o negócio e depois pego todo o mundo de volta, continuando a correr os riscos que a balança denunciou...)

Chegar atrasada no trabalho e ficar sentadinha, cochilando, contando os segundos para ir embora, sem conseguir fazer nada de produtivo (e eu de-tes-to ficar improdutiva!).

Para vocês terem uma idéia do quanto é importante para mim estar com meus pais, devo dizer que, apesar de tudo isso, estou muito feliz, revigorada, animada.

 
 

Currículo dos Sonhos

Uma escola que realmente atendesse as nossas necessidades cotidianas deveria ensinar:

- pagar conta em caixa eletrônico: o mistério solucionado;

- conviver bem em família: o impossível pode acontecer;

- sexo: o céu é o limite ou se quer o céu, vai ter que escalar ou liberdade e responsabilidade podem andar juntas;

- cuidar de filhos: semeie e colherá;

- lidar com os próprios grilos: um dia você consegue;

- trocar pneu: um dia você consegue II ;

- auto-cuidado: sim, você também merece um carinho;

Há tantas outras coisinhas...

Como cantaria o Kid Abelha, “ninguém me ensinou na escola/e eu não sei o que fazer”. Vamos no ensaio e erro mesmo, dando cabeçada na escola da vida...


(Raro eu falar de educação no blog, não é mesmo? Nem parece que é uma das minhas paixões...)

 
 

Coisas de Escola II

Continuação da estranha série "coisas inúteis que não sei por quê decidiram me ensinar"

PORTUGUÊS
- Prova dos livrinhos daColeção Vaga-lume: lembram que tínhamos que ler e depois responder perguntas totalmente irrelevantes, para provar para a professora que estávamos lendo? (Até parece que alguém pega gosto pela leitura assim: um verdadeiro atentado contra o bom-senso!). O pior é que, no meu caso, como era ultra mega caxias, lia DE NOVO livros que tinha lido por prazer. O objetivo? Conseguir pinçar do livro todas as informações que a professora queria que eu pinçasse, mesmo sabendo que eram bobocas e irrelevantes.

- Interpretação de texto: ah, isso era chato, muuuiitoo chato. A professora escolhia um texto do livro didático e respondíamos duzentas questões sobre o texto. Eram desafiantes perguntas e atividades como ‘qual é o título do texto?” ou ‘faça uma ilustração sobre o texto” (ah, essa então, eu odiava!)

- Diz pra mim: pra que é que você usou (além do vestibular) a maravilhosa distinção entre adjunto e complemento nominal?


INGLÊS
- Estudei o verbo “To Be” da 5ª ao 3º ano (juro!). Todo ano, era aquilo. E o pior é que a gente nunca avançava para os verbos irregulares. Ficava girando em torno do To Be, uma coisa.

-Lembro também de ter visto um texto que se chama “Smile” (tá vendo como não esqueço?) umas duzentas vezes. Ah, e o livro era o mesmo e acho que o texto era do Chaplin e tinha uma estradinha com um solzinho lá em cima e até que não era ruim mas eu não agüentava mais!

EDUCAÇÃO FÍSICA
- Era uma lerdinha e sempre era a última a ser escolhida, na queimada que o professor dava, pra ocupar a gente e ficar à toa. Estou traumatizada até hoje (ah, os tempos do politicamente incorreto). Odeio sobrar!


EDUCAÇÃO MORAL E CÍVICA
- Lembra que a gente estudava isso?? Era época da ditadura, não é mesmo? E o que você aprendeu? Os símbolos da Pátria, conteúdo fundamental para viver bem em sociedade.


É claro que, ao lado dessas bombas todas, também aprendi algo. Não quero jogar pedra na escola, até porque tive alguns poucos professores fantásticos e marcantes, além de ganhar a vida, durante 16 anos, exatamente dentro da sala de aula.

O problema é esse currículo besta, focado em desenvolver competências que eram úteis na Grécia Clássica e que hoje, entretanto, não fazem o menor sentido (há uma autora espanhola, Genoveva Sartre, que trata desse assunto). É essa insistência burra em não considerar a realidade, as necessidades, a vida que pulsa por detrás dos muros alienados das escolas.

O currículo ideal? Ah, certamente incluiria outras coisinhas. Isso merece um outro post, não é mesmo?

 
 

Coisas de Escola

Li em algum lugar a história de uma garotinha (menos de dez anos) que salvou muitas e muitas pessoas, no terrível tsunami de 2005. Na praia, ao observar o recuo das ondas, ela se lembrou de um vídeo a que havia assistido, na escola, e saiu avisando que algo errado estava acontecendo. As pessoas acreditaram e se salvaram.

O que me chama a atenção é o modo como ela acessou a informação: um vídeo assistido na escola.

Agora, eu pergunto: quais conhecimentos escolares REALMENTE foram relevantes para vocês? Em outras palavras, que coisas aprendidas na escola vocês utilizaram no cotidiano?

Pouca coisa, tenho certeza

Vamos lá:
FÍSICA:
- Lembra que a gente estudava campo magnético, no “científico”? Lembra que tinha uma manha com as mãos e a gente passava a prova fazendo gestinhos com as mãos, para entender se o campo ia para lá ou para cá ou para o espaço?
- E os tais dos espelhos, então? Que coisa inglória traçar com compasso o não sei o quê que a gente passava horas traçando e que não sabia por quê!
Pergunto: usou só no vestibular, não foi??

MATEMÁTICA:
- PA e PG passadas no quadro, sem comentários. Nenhum comentário poético sobre relação entre população e alimentos ou algo que o valha. Só quadro cheio e exercícios sem sentido. (Espero que vocês tenham aprendido isso de um jeito mais excitante!)
- TABUADA: lembra que a gente decorava e decorava e decorava, para ganhar o lápis que a professora dava para o mais esperto? (Ah, os tempos do politicamente incorreto...) Lembra que tinha uns livrinhos que a gente usava, mas não fazia a mais remota idéia de que aquilo era um jeito rápido e prático de somar?
- RAIZ QUADRADA: vocês já usaram isso para alguma outra coisa, a não ser tirar nota boa?? E era um suplício, não era?


GEOGRAFIA
- Quantos mapinhas mal mimeografados você coloriu, com os rios do Casaquistão?
- Quantas vezes você decorou que a Indonésia é o maior produtor mundial de farofa industrializada e a Conchinchina tem uma população de xpto pessoas?

HISTÒRIA
- Professoras de História a-ma-vam o quadro de giz. Horas e horas de cópia de coisas tão sem sentido (pelo menos, para uma menina de 12 anos!) como a Revolução Gloriosa ou o mercantilismo ou as causas e as conseqüências da Revolução Francesa...
(Me entusiasmei com o tema. Continuo no próximo post, ok?)

 
 

TRANQÜILIDADE

Fim-de-semana tranqüilo, dentro de casa, com direito a saidinhas básicas para trabalho no Centro, caminhada e carne-de-sol com manteiga de garrafa.

Incrível como sou caseira. Amo meu cantinho, com seus livros e cheiros e possibilidades e descansos e aconchegos.

 
 

DETALHES

Depois de quase um ano de MEC, finalmente comprei uma garrafinha, para tomar água. Isso significa que estou muito mais saudável, pois, com a garrafa ali, acabo tomando.

Penso que pequenos detalhes fazem toda diferença. Como o Silvio sempre gosta de dizer, “Deus está nos detalhes”.

(E por falar em Silvio, ele voltou a postar – vivaa!! Dêem uma olhadinha em www.olhosquefalam.blogspot.com)

 
 

DESCOMPASSO

Já repararam como, para criticar, as pessoas são muito ativas, espertas, argutas e descoladas?

Para fazer, no entanto, ah, que dificuldade...

Acho que vocês já pensaram nisso, sim, não é mesmo? São muito comuns os momentos em que esse descompasso entre o que se critica e o que se faz se torna imenso.

Tenho nojo disso. Muito nojo, mesmo. Se não sabe fazer melhor, é melhor se calar. Se sabe, é melhor fazer (aí, sim, pode-se falar bastante!).

 
 

UM GOSTINHO ESPECIAL

Todo dia, lá pelas 16 horas, tomo um cafezinho com bolacha.

Na quarta-feira, depois de atender um telefonema de trabalho difícil de resolver, decidi que merecia o recreio.

Quando engoli o café, senti gosto de barata.

(Como sei o que é gosto de barata? Ah, sei lá... Só sei que é algo peculiar, impossível de descrever, mas facilmente identificável)

Pensei comigo: “ah, Issana, deixa de ser fresquinha. Ser neurótica com cheiro de barata, tudo bem... Mas gosto?? Vc já comeu barata, por acaso? Deve ser só impressão...”

Me forcei a tomar outro gole.

Não agüentei e joguei fora.

Contei para a Diva, que é a moça que faz limpeza da sala. Falei baixinho e ela respondeu, bem alto, o que gerou uma discussão baratística por aqui:

-Ah, tá todo mundo falando. Deve ser o pote do café. A Leninha falou que é mesmo pura barata!

Fiquei tão reconfortada. Além de mim e do Silvio, outras pessoas sabem muito bem o cheiro e o gosto que a barata tem.

(O ruim é que perdi meu cafezinho vespertino...)

 
 

"Começar de novo..."

O processo de adaptação a uma nova cidade não é fácil. Por mais felizes que estejamos, perdemos referências que nos garantem qualidade de vida. Explico-me: por mais que Brasília seja uma cidade minimamente cosmopolita, só em Três Corações eu sabia exatamente qual era a melhor academia (ou a mais adequada ao meu perfil), em qual época a loja de sapatos faz promoções incríveis e quais os melhores profissionais para cada uma das minhas necessidades.

Vindo para Brasília, arrumei uma manicure que me detonou os pés (ganhei unha encravada, coisa que nunca tive!), não consigo comprar os xampus dos quais gosto (encomendei em dois salões, que me deram o cano, e acabei desistindo) e , o que é muito mais importante, não sei muito bem a que médicos procurar.

Ontem, por exemplo, fui a um oculista muito do ruinzinho. Deus me livre, que falta me faz o Dr. Raimundo, lá de Três Corações! O cara me disse que tenho que operar meu pterígio (coisa que tenho mesmo que fazer!), mas não pediu nenhum exame (onde já se viu isso? Enfiar a faca sem pelo menos pedir um exame de sangue?). Me receitou óculos e, quando perguntei se tinham ficado muito diferentes dos atuais, me mandou sentar novamente na cadeira, repetiu o exame e mudou a receita, que já tinha até me entregado.

Isso significa que, na semana que vem, tenho que ‘experimentar’ outro profissional. E pensar que ainda preciso encontrar ginecologista (ainda não fiz meus exames anuais!)... Ai, meus sais, lá vem mais uma romaria!

(Pelo menos, no quesito ‘manicure’, acho que agora acertei: vou toda quinta ao salão que fica no Ministério do Planejamento. Lá, faço de tudo: depilação, mão e pé. A sobrancelha, faço com uma colega de serviço, que manda muito bem. Agora, cortar cabelo... ahhh... isso é mesmo só lá no Salão da Neide, em Três Corações... )

 
 

Miséria é miséria, em qualquer canto

Abriram-se inscrições para professor substituto da UnB.

Exigência: mestrado e 2 anos de regência em ensino superior.

Salário: R$ 586,00.

Não, não deixei de digitar um zero antes da vírgula, não.

É uma situação triste demais, não é mesmo?

E eu ainda pensando que ganho pouco... Há situações piores. Com certeza.

 
 

FORTALECIMENTO ESPIRITUAL II

Coincidência ou não, também fiz uma consulta com a Giorgia e estou tomando florais de Bach. Anotei num guardanapo (estávamos numa pizzaria) o diagnóstico que ela fez e percebi que, naquele guardanapo, estava uma síntese de mim. Estou tomando religiosamente e vou fazer um diário, de acordo com a indicação da querida “Médica de Almas”.

Acredito que isso também vai me ajudar nessa jornada de fortalecimento.

(Detalhe a respeito dos Florais: ela receitou para o Silvio, no domingo, um floral para insônia e foi ba-ta-ta: dormiu super bem, a noite toda, e passou a segunda bocejando. Não punha muita fé no negócio, mas... contra fatos, não há argumentos, não é mesmo?

 
 

FORTALECIMENTO ESPIRITUAL I

Tenho feito algumas investidas para melhorar o astral e superar dificuldades íntimas.

Na segunda-feira, participei do ‘Atendimento Fraterno’ da Comunhão Espírita. O negócio funciona da seguinte maneira: damos o nominho, ficamos esperando e, depois, podemos pedir conselhos para uma pessoa experiente, sob a luz do Espiritismo.

Fui, meio relutante (acredito que as respostas estão SEMPRE dentro de nós!), mas foi muito interessante. Falei MUITO de mim (coisa boa, não é mesmo?) e o senhor que me atendeu montou um “programa de fortalecimento espiritual’. Vou transcrevê-lo a seguir, pois acredito que pode ser útil para alguém.

A idéia básica do programa é que, depois de fortalecida espiritualmente, a pessoa dimensiona corretamente seus problemas (segundo ele, quando enfraquecidos, achamos que nossas dificuldades são maiores do que efetivamente são) e, a partir desse dimensionamento, pode juntar forças para vencê-las (as dificuldades) de uma maneira menos sofrida e mais tranqüila.

Opto por colocar o Programa aqui porque ele é universal: pessoas de qualquer religião podem segui-lo. Pena é que vocês não possam ouvir os comentários significativos que ele fez, justificando cada um dos ‘passos’. Vamos lá, então:

1. TOMADA DE CONSCIÊNCIA
É preciso refletir sobre dois pontos:
a. Nosso grande objetivo na Terra é nos aproximar de Deus. Há vários caminhos para isso, mas o mais ‘garantido’ é o do AMOR.
b. Nossa verdadeira natureza é exatamente o AMOR. Tudo que sai disso é excrescência e não nos satisfaz.

2. ASSISTÊNCIA A PALESTRAS PÚBLICAS
Ouvir sobre o Evangelho, sobre o Bem faz muito bem.

3. PASSE
Isso é mais para quem é espírita. Como sou espírita, vou a-pro-vei-tar!


4. ÁGUA FLUIDIFICADA
Acho que muitas religiões têm isso (estou enganada?).

5. PRECE
Sintonia com o Criador fortalece, sempre.

6. AUTO-ANÁLISE/AUTO-CONHECIMENTO
Colocar-se diante de si mesmo e procurar identificar pontos fortes e pontos fracos, sem, entretanto, abrigar culpa, desânimo ou orgulho é fundamental para o fortalecimento

7. LEITURA CONSTRUTIVA
E aí, o que vocês têm lido? Ler é alimentar a alma. Se você consome coisa podre, passa mal.

8. EVANGELHO NO LAR
Leitura do Evangelho (para quem é cristão, obviamente) é fundamental para o equilíbrio (e pensar que Silvio e eu, apesar de espíritas relativamente conscientes, não fazemos isso na nossa casa. Lamentável, não é mesmo?)


9. EXERCÍCIO DO PERDÃO E DA RECONCILIAÇÃO
Não somente em relação aos outros, mas também no que diz respeito a si mesmo.

10. EXERCÍCIO DE DOAÇÃO DE AMOR
Fazer alguma coisa, sem esperar nada em troca, também é super importante para o fortalecimento espiritual.

 
 

EM BUSCA DO MELHOR DOS MUNDOS

Descobri que, em apenas 4 meses de trabalho em Três Corações, ganhei mais dinheiro que em 8 (eu disse oito!) meses no MEC.

Não é um absurdo?

O que me consola é que fiz muitas outras coisas, durante o período: “alavanquei” a vida pessoal, aprendi a trabalhar num lugar diferente, viajei bastante, terminei o mestrado.

Pensando bem, até que valeu a pena. O negócio agora é lutar pelo melhor dos mundos: realizar projetos pessoais, sem abrir mão de um trabalho estimulante e bem-remunerado.
Já comecei a lutar para conseguir isso!

 
 

Encontro-delícia ou De Como o Fim-de-semana Legal se Encerrou com Chave-de-ouro

Bem, para terminar a novela do meu fim-de-semana, falta o último capítulo que, como tal, teve gostinho apoteótico.

Depois da churrascaria, pensei: “ah, agora vou cuidar um pouco das coisas práticas. Acabou a moleza”. Dessa forma (depois de um cochilo, é claro, que não deixa de ser, para mim, coisa prática e essencial), lavei uns copinhos, pus umas roupinhas de molho e fui –ai, que delícia! – me dedicar às maravilhas da declaração de imposto de renda.

No Gtalk, encontrei a Giorgia (www.coisasbobas.blogspot.com). Tínhamos combinado de nos encontrar na terça, pois ela estaria em Brasília, para um curso de Processo Civil (blergh!). Conversa vai, conversa vem, descubro que a danadinha já está em Brasília, se preparando para jantar.

Adivinhem o que fizemos? Abortei o “Projeto Declaração de Imposto de Renda” e devoramos um crepe, com o Silvio e a Grazi (irmã da Giorgia e uma SIMPATIA de delegada!).

Para mim, foi como conhecer uma popstar. O blog da Giorgia sempre foi inspirador (graças a ele, me animei a escrever!) e tive a oportunidade de dizer, pessoalmente, olhando nos olhos, o quanto sou grata pelo que leio ali. De uma maneira delicada e agradável, ela tem uma mão incrível para falar sobre a vida, sobre valores, viagens e sentimentos. Enfim, como podem observar, sou super fã (aguardo, inclusive, a publicação do primeiro livro, viu?).

(Imaginem a cena; eu falando todas essas coisas para ela e ela abaixando a cabeça, querendo furar um buraco no chão, para fugir de toda aquela ‘rasgação de seda’. Desculpe-me, Giorgia, mas foi inevitável. Não podia perder a oportunidade!)
Falamos de mil coisas e o tempo voou. Quando nos demos conta, já era mais de onze horas. Como o tempo passa rápido quando estamos entre pessoas de quem gostamos, não é mesmo?

 
 

Novela do Fim-de-semana (continuação)

No domingo, na dúvida sobre onde almoçar, acabamos conhecendo a Churrascaria do Lago, lugarzinho com vista linda e carnes decentes, por um preço bem interessante.

Comi muito, muito, muito, inclusive de um yaksoba (escreve-se assim?) gostosinho.

Estranho é que o lugar tinha recebido péssima classificação de um internauta, num site de avaliação dos restaurantes aqui da Capital. Penso que muito do desgosto dele tem a ver com um padrão alto de exigência: a Churrascaria era bem popular, lotada de ‘famílias-comemorando-o-aniversário-de-casamento’, de crianças. Da minha parte, achei tudo muito honesto e me encantei com o ambiente vibrante, familiar, com uma vista maravilhosa do lago.

Definitivamente, gosto não se discute...

 
 

FESTA ANOS 80

Desde que vim para Brasília, não cansava de ouvir o Silvio dizendo coisas sobre a FESTA ANOS 80 a que tinha ido. Ele vivia insistindo para a gente ir, que era uma experiência fantástica e tal, mas realmente eu não poderia gastar uma madrugada inteira me divertindo, enquanto páginas e páginas da dissertação esperavam ser escritas.

Sempre prometia, sobretudo para mim mesma: ‘quando defender, quero me acabar nesta Festa”.

Pois é, a hora chegou.

Pus uma blusinha vermelha, um jeans e meus sapatos velhos de guerra (para poder dançar a noite inteira) e fomos para a Festa.

Puxa, como eu estava feliz!

A FESTA não decepcionou em nada. O que me decepcionou foram os sapatos, que resolveram me esfolar a sola do pé (e eu tinha escolhido sapatos velhos exatamente para isso!) e acabei não dançando tudo que gostaria.

Fomos embora lá pelas quatro da manhã, com o Silvio quase me carregando: o carro estava longe e ficou im-pos-sí-vel caminhar de uma maneira minimamente digna... (Como sofre o pessoal da boemia...)

Para vocês terem uma pálida idéia do quanto a Festa estava incrível, é só entender o seguinte: mesmo com os pés ACABADOS e sem ingerir um pingo de álcool , achei tudo divertidíssimo. (Se levamos em consideração que sou uma chata de galocha, que odeia ambientes agitados e exige o máximo de conforto desse tipo de situação, dá para entender o quanto foi legal.)

Mas o fim-de-semana ainda não tinha terminado...

 
 

Histórias de fim-de-semana

Esse último fim-de-semana esteve próximo da perfeição. Há muito tempo, não vivia tanta coisa legal, num espaço compreendido entre sábado e domingo.

SÁBADO DE SOL
Pela primeira vez, Silvio e eu tocamos ‘sozinhos’ a Evangelização Infantil do Centro Espírita que freqüentamos. Matilde e Cecília não puderam ir e, então, ficamos ali, das 9 às 12 e 30, trabalhando pesado pra caramba (é incrível como só quando tomamos a dianteira de um trabalho é que percebemos que detalhes como a localização da concha para servir a sopa podem ser importantíssimos).

Detalhe é que preparei a aula, mas imprevisto aconteceu (uma das garotinhas – portadora de necessidades especiais – começou a chorar desconsoladamente) e tive que deixar o Silvio dando a aula, para ficar embaixo de uma árvore, enquanto a menininha se acalmava em idas e vindas infindas no balanço. Apesar de perder o auge da aula, que era uma brincadeira de pergunta-resposta com direito a chocolate “Sensação” como ‘prêmio’, senti uma paz tremenda, olhando a Amanda se balançando e ouvindo o Silvio ‘tocando o barco’ da aula. Senti que finalmente estou conseguindo alcançar uma situação parecida com a que tinha em Três Corações, em termos de trabalho ‘espírita’.


SÁBADO À NOITE

Dormi quase a tarde inteira, enquanto o Silvio ia para Taguatinga, conhecer o pessoal da nova banda da qual fará parte.


Ele chegou lá pelas 5 da tarde e fomos preparar juntos o estudo para a noite. Pelos mesmos motivos, iríamos (tentar) substituir nossas colegas do Centro. Ficamos uma boa hora lendo passagens do livro “Nosso Lar” e foi bem gostoso.

Fomos ao Centro e tudo correu maravilhosamente bem: fomos acolhidos com carinho e pudemos aprender bastante com o pessoal.

Em casa, ele foi dormir e eu, ansiosérrima, fiquei matando o tempo (afinal, tinha dormido a tarde inteira!).

O motivo da ansiedade, conto no próximo post.