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Issanidades

 

OPÇÃO X COSTUME

Ontem, o Silvio foi ao dentista e fiquei no shopping, batendo perninha.

Aproveitei para ver umas armações, pois pretendo trocar os óculos. Na semana que vem, vou ao oftalmologista e já comecei a procurar uma coisa que seja a minha cara: legal, discreta, estilosa e... humilde, muito humilde.

Depois da tarefa, fomos lanchar num lugar chamado Subway, que é uma lanchonete naquele formato americaníssimo. Pode-se escolhe o tipo de pão, o recheio e os acompanhamentos.

Ficou uma coisa saborosa e nutritiva e, mais que isso, com o nosso jeitinho. O preço é mais ou menos o do Mac Donalds e é aí que me impressionei.

No canto oposto da lanchonete (quase vazia) estava o Mac, lotadíssimo. Todos ali, comendo aqueles sanduíches padronizados, com gosto de isopor engordurado. Enquanto isso, aproveitávamos a experiência culinária (tá bem, tô mesmo exagerando!) do Subway, por um valor muito parecido (ou mesmo menor!).

A minha pergunta é: será mesmo opção ou é mero costume, as pessoas pensarem em lanche e, zupt, correrem para o MacDonalds? Temo que a última opção seja a correta.

E na vidinha nossa de cada dia, tomamos as rédeas das escolhas, optando pelo melhor e mais saudável, pelo que pode nos dar maior prazer e nos permite evoluir, avançar, ou nos contentamos mesmo é com umas experienciazinhas chochas, que a vida vai jogando no nosso colo?

Ainda não tenho a resposta. Se alguém puder me ajudar, agradeço.

(Não ganhei nada para falar da Subway. Se levar este post na loja, nesses tempos de dia-post valendo 1 real, o gerente oferece um sanduíche? Huuummm.... vou pensar no caso!)

 
 

UM REAL

Silvio disse que paga 1 real por cada dia em que eu postar.

Tentei que pagasse por post, mas ele foi irredutível.

Alguém dá mais?

(Se postar todo dia, estou com 30 reais garantidos. Dá para comprar um livro. Oba!)

 
 

100% ATITUDE

Estou subindo as escadas (perigosas) do Centro. É final do dia de trabalho e a criançada está mais soltinha, esperando a hora da sopa.

Assim que chego ao topo, dou de cara com o Francisco, tampinha de 2 anos, mascote da evangelização. Ele vem correndo e chorando. Atrás deles, umas três ‘mocinhas’, de uns 10 a 13 anos.

Pego o rapazinho no colo e ele esperneia. Elas estão afobadas, verdadeiras mãezinhas dedicadas:

- Issana, ele não quer deixar tirar a fralda!

Quanto mais elas falam, mais ele berra, convicto:

- Mamãe!!!!!! Mamãe!!!!!!!!! Mamããããããããe.....

Vamos para dentro e eu vou tentando convencê-lo:

- Deixa limpar, Francisco. Deixa a tia te limpar...

Nada.

Ele continua berrando, numa toada única:

- Mamãe!!!!!! Mamãe!!!!!!!!! Mamããããããããe.....

Nos sentamos (as meninas em volta, animadas, tentando colaborar), pego o rostinho dele e falo:

- Deixa limpar, Francisco. Sou a tia. Pode confiar.

Imediatamente ele parou de chorar e fiz o serviço, tranqüila (dentro do possível, pois as meninas não paravam de tagarelar, ‘morrendo de inveja’ e querendo brincar com aquele bonequinho). Fiquei rindo por dentro, pois acho que entendi mais ou menos a mensagem dele: ‘tá pensando que limpar meu bumbum é pra qualquer uma?? Só a mamãe e, com grandes ressalvas, algum adulto que tenha carteirinha de tia”.

 
 

JANJÃO

Meu irmão mais velho comprou o primeiro carro: um Fusca branco.

Meu sobrinho se chama João Otávio e nós o chamamos de Janjão.

Adivinhem qual é o apelido do carro?

“É que é pequenino e branquinho”, segundo explicação da minha mãe. Coitado do sobrinho. Será que isso traumatiza? Ser chamado de Janjão e ainda ter que dividir o codinome com um carro velho são, realmente, coisas difíceis de engolir.

 
 

Sobre realizações e projetos

Mil planos e projetos fermentam a cabeça. Ontem, dediquei uma manhã inteira a desocupar gavetas e mais gavetas de papel. Mestrado acabou há quase dois meses e só agora me animei a me desfazer de todas as versões provisórias, rascunhos e listas de tarefa que fiz, nos mais diversos momentos da epopéia. Euforia, dor, alegria, tristeza, esperança e desespero marcaram cada uma daquelas folhas e mais folhas que encheram uma sacola enorme, jogada no lixo.

Além do título e da habilidade relativa que adquiri, no trato com textos científicos, também ficaram outras lições, mais intangíveis:

1. Não há sofrimento que para sempre dure – por mais difícil que pareça, uma hora acaba (sei que essa frase é de um lugar comum tétrico, mas foi uma certeza que desenvolvi, depois de anos acreditando ser uma mestranda eterna, que era demais para mim, que o mestrado acabaria comigo etc. Uma coisa é ouvir dizer. Outra é sentir na própria pele. Uma hora, o mestrado – ou outro nome do desafio que enfrentamos - acaba e, acredite, você pode ganhar até alguns elogios ).

2. Não há NINGUÉM, no mundo todo, que acredite tanto em você quanto você mesmo: sei que essa lição é meio dura, mas é nisso que acredito, ultimamente. As pessoas só acreditam em nós quando respiram nossa autoconfiança. Mesmo os que mais nos amam não estão dentro de nós (nossa, que frase!) e não podem responder por nosso potencial e capacidade de dar conta das coisas. Só nós podemos dar essas respostas. Autoconfiança, enfim, é fundamental. No caso do mestrado, então, é mais que isso, pois uma das funções dos orientadores parece ser a de desconstruir nossa segurança, colocando no lugar criticidade e empenho (nem sempre dá certo, mas eles parecem acreditar que sim!);

3. É bom viver na corda bamba/ só crescemos diante dos desafios: por mais paradoxal e masoquista que isso pareça, nossos avanços são diretamente proporcionais aos perrengues que passamos. Está tudo tranqüilinho, em paz total? Não há crescimento. Aprendemos mesmo é com os soquinhos e probleminhas e dificuldades que a vida apresenta. É claro que, na hora em que vivemos tudo isso, odiamos e queremos mesmo é paz e vidinha tranqüila, mas o saldo das experiências difíceis é muito mais significativo que o do marasmo do ‘deixa estar pra ver como é que fica’.

Bem, como estava dizendo lá em cima, a limpeza de ontem me rendeu três gavetas esvaziadas e uma vontade imensa de dar andamento a outros projetos profissionais. Essa sensação de projetar coisas novas, por sua vez, está me dando um delicioso friozinho na barriga.

 
 

História de um desmaio

Fui tirar sangue ontem e dei uma desmaiadinha básica. Fiquei pensando “ai, que saco, tá tudo apagando, não quero desmaiar, não quero desmaiar... estou desmaiando... não quero... estou ... tenho que avisar”:

- Moço, tô me sentindo mal.

Acordei numa outra sala, deitada numa maca, com metade do laboratório dando uma passadinha para conferir ‘a-moça-fresca-que-desmaia-pra-fazer-um-examinho-de-rotina”.

Estava sozinha, mas fui muito bem tratada.

No final de tudo, comi um pãozinho de queijo, um suco gostoso e voltei a pé para casa.

Não é à toa que meu sobrenome é rocha.

 
 

GREVE

Comecei greve na segunda. Terminei hoje. Dos colegas efetivos da sala, apenas uma outra colega permaneceu e achei melhor voltar.

Consciência política é algo lindo de se ver, não é mesmo?

 
 

SUPERFÍCIE CANSA

Estava comentando aqui com a Ana Paula que ando meio cansada deste cantinho. O mundo caindo na cabeça e vamos lá falar de banalidades, para disfarçar.

Fico limitadinha, pensando no que vão pensar, com receio de entregar a rapadura, e daí o blog ganha um ar superficial demais. Também sou minhas superficialidades, mas há momentos em que tudo que gostaria era de falar de coisas mais sérias, mais graves, mais profundas. (Hoje mesmo escrevi um texto imenso, às cinco e meia da manhã, que ninguém vai ler. Senti-me muito bem por ter escrito, mas, ao mesmo tempo, tremendamente sozinha: se ninguém vai ler, não vai haver diálogo algum e vou ter mesmo que carregar e enfrentar, sem muito “retorno”, entendem?)

O que faz tocar o barco são as cobranças carinhosas da Ana (“você abandonou mesmo o blog, hein? Vai postar mais não?”), o coleguismo afetuoso que estabeleci com algumas das visitantes e a esperança de estar mandando sinais de fumaça para parentes e amigos distantes.

E vamos em frente!

 
 

COMPROMISSO

Como já contei por aqui, participo de atividades de evangelização espírita, no Centro que freqüento. Andava meio desanimada, com a sensação de não estar contribuindo (a Matilde é a moça que toca a evangelização e é de uma enorme competência. Apesar de ter me recebido com todo carinho – ela e a Cecília, que é a coordenadora -, tudo já estava tão dentro dos eixos que acabava me sentindo assim, meio que sobrando).

Pensei então: ah, como estou em nova fase, vou tentar me encaixar numa atividade mais agitada, em que me sinta mais útil. Então, liguei para ela, meio que para explicar minha decisão.

- Oi, Matilde, tudo jóia?

- Tudo jóia, Issana! Tá sumida...

- Pois é, defendi mestrado, sabe como é?

- Menina, que bom, meus parabéns.

- E aí, cês já voltaram?

- Ah, a gente volta agora no sábado, viu?

- Cerrrrrto... E a filha da Cecília, vai ajudar também? – era a deixa para eu falar “que bom que ela vai ajudar e eu vou tentar outro trabalho e tal e coisa”

- Ah, vai sim, Issana, mas não é no nosso posto, não - o Centro é dividido em Postos de Assistência – O rojão vai ficar conosco mesmo!

Ela estava tão confiante na minha companhia que só pude responder:

- Beleza, então, Matilde, a gente se vê no sábado, tá?

É isso que é ser chamada ao compromisso!

(Fiquei pensando no quanto um comentariozinho que a pessoa faz pode fazer toda diferença para a gente. Do desânimo, passei a um entusiasmo bem gostosinho, do tipo ‘mesmo que seja para decorar, há alguém que ainda conta comigo e vou corresponder às expectativas”. No caso, pretendo mesmo é superar as expectativas!

Quero sempre me lembrar de também fazer isso pelas pessoas: confiar nelas, contar com elas, estimulá-las!)

 
 

Heresia

Manifestação de servidores comendo quente lá fora. Fiquei uma boa hora lá embaixo, dando minha força e utilizando o apitinho. Mesmo fazendo força, não consigo me animar. Acho lindo as pessoas irem para as ruas, lutarem por seus direitos, mas nunca consigo fazer parte do grupo. Sempre fico com a sensação de perda de tempo.

Sei que é uma heresia falar isso, que a participação é importante e a união faz a força. Sei que todos os anos que estudei deveriam ter me dado uma garra maior, mas, sinceramente, tenho preguiça. Não tenho paciência de ficar horas e horas andando pra lá e pra cá, gritando palavras de ordem.

É individualismo, eu sei. Mas é assim que sou: humana.

 
 

"A necessidade faz o sapo pular"

Enjoada da comida da Esplanada, estou aprendendo a cozinhar. O que chamo de cozinhar não quer dizer peripécias e mais peripécias, comida francesa e dinamarquesa, mas fazer arrozinho, feijão, bife e salada. Coisas simples, mas que dão a impressão de se estar em casa, de se ter um lar.

(Ah, e estamos de mesinha de centro nova, que gostamos de viver no luuuuxoooo!)

 
 

ÁREA PROIBIDA PARA ABSTÊMIOS

No domingo, depois do concurso, passamos numa barzinho, pois estávamos famintos e não iríamos fazer nada em casa. Pedimos uma porção de pastéis, uma casquinha de siri e um suco de laranja.

O garçom ficou revoltado. De cinco e cinco segundos, perguntava:

- Mas o Sr. não vai beber nada?

Além disso, virou a cara para o Silvio, quando ele pediu mais um garfinho, para comermos a casquinha. Meu companheiro teve que se levantar e pedir, no balcão.

O bar era uma choperia. O consumo de chope é obrigatório? Abstêmios são proibidos nesses lugares? Tenho certeza de que não. Além do mais, o lugar estava vazio, vazio. Só posso achar que foi pura má vontade do garçom. Afinal, gastamos mais do que muita gente que vai à choperia e fica horas diante de um único copo.

 
 

Tranqüilidade

Hoje, começamos a caminhar (se o tempo deixar, é claro!). Estou super animada. No trajeto, vamos passar no Pão de Açúcar, que quero comprar uns bifes. Chegando em casa, vou cozinhar para nós. Vou aproveitar também para deixar meu currículo em duas escolas da região.

É a vidinha que pedi a Deus... É muito estranho chegar em casa e não ter que correr para o computador, para dar conta de fazer o mestrado andar. Estranho, mesmo. Sobra tanto tempo

 
 

Cirurgia à vista

Dias tranqüilos, em todos os sentidos. É deliciosa a sensação do dever cumprido. Está dando tempo para cuidar de coisa que não fazia há tempos: cuidar de mim. Comecei resolvendo a questão do dente complicado.

Botei fé no novo dentista. Seguro, consultório arrumadinho. Dose é que vamos morrer em 600 reais para a anestesista e 2500 para o enxerto. O pior mesmo é o pós-operatório: vão tirar osso da mandíbula e colocar no maxilar (é mais ou menos isso, não sei explicar direitinho). Fiquei horrorizada com o que o Dentista foi falando: pode ficar hematoma. É melhor tomar a anestesia, porque é demorado. Não, não vamos atingir o nervo. Se atingirmos, já viu, né? Nunca mais boca inteira...

Conversando com ele, entretanto, acabei acreditando que mesmo assim é a melhor alternativa. Do contrário, é prótese fixa mesmo. Para colocar a prótese, eles ‘desgastam’ os dois dentes do lado, ou seja, além de ser banguela num dente, serei semi-banguela em outros dois. Prefiro gastar!

Rezem para tudo dar certo. Amanhã já faço o exame de sangue.

 
 

ATÉ QUE ENFIM II

Depois de quase um ano em Brasília, finalmente nos animamos ($) e compramos uma mesa. Gente, que mesa LIIINDA... Moderninha, de imbuia (quando chegar, mostro aqui no blog), com estofamento escolhido a dedo. O ruim é que ela só vai chegar daqui a 30 dias úteis, pois o tal do ‘estofamento escolhido a dedo’ não é de pronta entrega.

Em compensação, escolhemos também uma mesinha de centro maravilhosa, que chega amanhã. Não vejo a hora de desfrutar de luxos como jantar à mesa, estudar sentadinha, receber os amigos com conforto, decorar o cantinho do meu gosto...

 
 

ATÉ QUE ENFIM

Com essa prova de domingo, finalmente, depois de uns 4 anos, estou sem compromissos “acadêmicos”. Terminei o mestrado em fevereiro, mas acabei não diminuindo o ritmo, pois passei para a segunda fase do concurso de Redação Parlamentar e me ocupei, fazendo cursinho à noite e discursos, no tempo vago.

A proposta agora é de me cuidar (e do Silvio também, que merece todo cuidado e carinho do mundo!). Hoje, tenho dentista. Amanhã, vou cuidar dos olhos. Na quarta, acompanhar o Silvio no dentista. Uma outra coisa que quero fazer é voltar a fazer atividade física (engordei uns três quilos e quero retomar a barriguinha murcha!).

O negócio é fazer tudo para evitar a depressão pós-parto, ops, pós-mestrado!

 
 

PAULEIRA TOTAL

Saí da prova de ontem com as mãos e o pescoço doendo e uma tremenda dor de cabeça. Terminei cinco minutos antes do término. A duração do combate foi de 4 horas e meia e tínhamos que redigir dois discursos parlamentares, com cerca de 90 linhas. Imaginem o que significa ter que pensar em argumentos para dois textos,dentro de especificidades próprias do discurso parlamentar (que não domino!), escrever rascunho para eles e passar a limpo!

O final da prova foi dramático: estava com o último discurso escrito no rascunho, mas com 30 minutinhos para passar a limpo (lembrem-se de que eram umas 90 linhas!). Nunca corri tanto na minha vida. Saí de alma lavada só pelo fato de ter terminado a prova. Agora, é esperar o resultado. Mais que isso, é começar uma preparação séria para os concursos da Câmara Federal e do Senado.

Poder Legislativo, me aguarde!

 
 

Mundo Cão


Já contei aqui que a dinâmica de vizinhança no meu prédio é muito esquisita. As pessoas não cumprimentam, fecham a cara, uma antipatia só. O Silvio desenvolveu a teoria de que se trata de mecanismo de defesa: como as paredes são ralas e escutamos o que as outras pessoas fazem, nos apartamentos ao lado, elas preferem se resguardar, manter uma distância do tipo “vocês me ouvem transando mas não pensem que é pra pegar intimidade, não, viu?”. Acho que ele tem um pouco de razão...

Ontem, quando estávamos chegando do trabalho, uma menina de uns 13 anos estava saindo com uma cachorrinha. Meu Deus, que coisiquinha mais linda: toda branquinha, de lacinho e, detalhe, vestidinho digno de novela das oito. Não agüentei e falei:

- Ai, Silvio, olha só que gracinha, tá de vestidinho!!

A menina, que já estava meio longe (acho que ia dar aquela caminhadinha básica, para a cachorrinha ‘usar o banheiro público’, no gramado), voltou, toda animada.

Ai, que delícia que foi... Passei a mão naquele pêlo fofinho e a Kitty (acho que era o nome dela!) abanou o rabinho e ficou dando saltinhos... A dona, com ar confiante e orgulhoso de mãe, me deu várias informações: “qual é o nome?” , `é sua?”, “quantos meses ela tem?”.

Lembrei da minha infância. Tivemos duas cachorrinhas: Figuinha e Calegali (esse nome surgiu porque minha irmã e eu, quando ela nasceu, dizíamos ‘que legali, que legali, legali e, daí para Calegali, foi um pulo... história esquisita, né?). Calegali era filha da Figuinha. As duas eram vira-latinhas, mas a Figuinha tinha um quê daqueles cachorrinhos minúsculos (o nome é Pinscher, acho). Meu pai a achou na beira da estrada (ele trabalhava num restaurante), ficou com dó e levou para casa. Ele acha que ela tinha sido abandonada na estrada, pois estava velha (maldade, né?). Minha irmã e eu, que tínhamos cinco e três anos, respectivamente, nos APAIXONAMOS perdidamente e a bichinha ficou conosco, mas antes (não era tão velha assim...) ficou grávida e teve a cachorrinha mais ratinha da face da Terra.

Quando Calegali nasceu, nem acreditei. Lembro da sensação de pegá-la na palma da mão. Era mesmo uma ratinha horrorosa, mas, para nós, era o bebê mais fofo do mundo.

Vários são os flashes que vêm à cabeça: a fuga da Figuinha, quando nos mudamos de cidade (a danada vinha junto com as coisas, no caminhão, e, assim que paramos num posto, para abastecer, numa cidade estranha, ela saiu, saltitante, pela estrada afora - a bichinha gostava mesmo de uma estrada...). Lembro do escândalo que fizemos, Isamar e eu, e da correria do pai e da mãe, para tentar resgatar a maior preciosidade que levávamos para o desconhecido (penso hoje que, se tivéssemos perdido a cadelinha, eu teria tido mais problemas que tive, na escola, pois estranhei muito e a bichinha funcionou como âncora. Sei lá, acho que tô psicologizando demais!)

Lembro dos banhos que dávamos nelas, que imediatamente corriam para a terra, para tirar aquele cheiro horrível de sabonete e se encharcarem de barro. Do ‘penteado’ que fazíamos com as orelhinhas da Figuinha, que ficava com uma cara muito engraçada. Do treinamento que fizemos com Calegali (Figuinha nunca aceitou, era mais rebelde, mais velha): colocávamos o pão lááááá em cima e a danadinha pulava super, super alto...

Mais tarde, o Islan teve um cão lindo, chamado Tornado, e uma cadela chamada Diana.Lembro do choro sentido e desesperado do meu irmão, quando o Tornado morreu (todos os cães lá de casa morreram da mesma doença, uma que dá uma bambeza no bichinho, que pára de comer, é uma tristeza (o nome é algo como cinonãoseioquê). O veterinário, inclusive, indicou que não tivéssemos mais nenhum cão, por um punhado de anos, até que o quintal se desinfectasse. Nessa história, quem perdeu foi o Ivens, que acabou sendo o único filho sem cachorro. (Será que o menino vai ficar revoltado com isso?)

Estava comentando com o Silvio que, quando tivermos um filho, acho fundamental termos também um cãozinho. Ter cães me fez ser mais gente, e quero propiciar isso para meu filho também!

P.S.: Post dedicado à Ana Paula, apaixonada irrestritamente pela Kelly, que é a “modelo” que ilustra este post.

 
 

Cadê a receita??

Escrever é como ‘acertar a mão’ numa receita. No começo, tem que seguir os passos certinhos, pois qualquer mudança pode ser fatal. Depois, podemos inovar, colocar uma coisinha aqui, outra ali.

No caso desse discurso parlamentar que terei que redigir, no domingo que vem, está me faltando mesmo é receita confiável...

(E pensar que, entre meus colegas, é consenso que a banca vai ‘passar o facão’, ou seja, não vai perdoar deslize. Tô frita!)

 
 

Luz e eu

Com a troca de móveis e de persianas aqui da minha seção, ficou inviável trabalhar no computador, no período da tarde. Quando digo inviável, é inviável mesmo, não é ‘um pouco difícil’. Acontece que a luminosidade incide bem no monitor, que fica clarinho, clarinho, impedindo leitura e trabalho em tabelas. Dessa forma, desenvolvi uma relação super ‘primitiva’ com a Natureza: quando alguma nuvem amiga tapa o sol, corro para o micro. Quando a nuvem vai embora, vou telefonar ou escrever meus discursos.

Posso dizer que hoje sou uma menina muito ligada à natureza, às nuvens, aos céus de Brasília.
Bucólico, não?

 
 

FURTO

A fragilidade da gente em relação a algumas coisas nunca deixa de me assustar.

No sábado, furtaram o som do nosso carro. Já é a segunda vez que isso acontece (a outra foi em Três Corações), de forma que já estamos acostumados (se é que se pode acostumar com isso!). O que assustou mesmo foi a precisão cirúrgica do furto.

Em primeiro lugar, não sabemos como o ladrão entrou, pois não há marcas do arrombamento. Em segundo, o modo como ele desligou o alarme foi ‘profissional’ (o carro continuou a piscar e a fechar, mas o som foi cortado). Finalmente, o foco do rapaz (ou da moça, sei lá!): levaram o som, mas deixaram no carro o celular do Silvio e os CDs do porta-luvas. Ficamos imaginando que ele deve ter ‘limpado’ o estacionamento, por isso não teve tempo para ‘perder’ levando miudezas.

Estamos meio à mercê, mesmo. Nessas horas, a confiança numa Força Maior (que definitivamente não é a nossa combalida força policial) é que nos impede o medo e o desespero. Se nem alarme, numa manhã de sábado, a bandidagem está respeitando, imaginem só a sorte que tivemos, por não terem levado o carro (segundo o Silvio, só não levaram porque a chave é ‘chipada’) ou mesmo nossas vidas?

 
 

Servindo bem, para servir sempre!

Graças à lindinha da Fernanda (www.muitopoia.blogspot.com), o blog tem novidades: a partir de hoje, vou "comentar os comentários".

Dêem sempre uma conferidinha, tá? Vou adorar interagir mais com vocês!

 
 

Pepinosas do cotidiano

- Declaração de imposto de renda. Pegar declaração de rendimento nos dois lugares onde já trabalhei, que ficam em Três Corações. Ter que encher o saco de toda a família, para que façam isso para mim.

- Pegar declaração de aprovação em concurso público, também em Três Corações. Explicar mil vezes o que preciso e receber uma declaração totalmente errada. Explicar de novo, utilizando a folha da declaração, e receber ‘carão’ de que em ‘documento não se rasura’ (mesmo documento que vai para o lixo?). Demorar a obter resposta e se descabelar, imaginando que não vai dar tempo e que vai perder 0,5 ponto no concurso.

- Pegar (também em Três Corações!) o diploma da última especialização. Descobrir que é preciso uma procuração. Se descabelar de novo, imaginando que lá se vai mais 0,5 ponto.

- Mandar a versão definitiva da dissertação de mestrado, em papel-carta, sem ter uma impressora. “Morrer’ em pelo uns trezentos reais, para imprimir numa lan-house.

O legal é que sempre dá certo, no final. Se não está dando certo, é porque ainda não se chegou ao final, não é mesmo?

 
 

Aula de Redação

Há momentos em que um blog no anonimato ajuda bastante. Agora, por exemplo, estou louquinha para contar algumas histórias da aula de redação a que estou assistindo, mas não posso, pois seria fácil ‘cair na boca do povo’ do curso. Só posso falar algumas coisinhas mais assépticas, para matar a vontade.

Em primeiro lugar, vocês precisavam ver aquela sala de aula. Adoro o lugar, que é uma mistura de escritório, biblioteca, sala de multimídia e sala de aula. A decoração, por sua vez, é cheia de fotos do Professor e a família, o Professor e os amigos, o Professor defendendo mestrado, o Professor aqui, o Professor ali. TODAS as paredes cobertas com as fotos: essa é a decoração.

O cara, por sua vez, é figura DEMAIS. Impossível não prestar atenção nele. Gordinho, falador de palavrão... Competente e divertido, fica ali, entre os tubarões, navegando com tranqüilidade.

Os colegas, então, são im-pa-gá-veis. Cada ego quase do tamanho do meu, que não é pequeno. Sempre que ouço alguns comentários, penso “ai, meu Deus, me ajude a nunca ser assim”. O legal é que, como as pessoas estão preocupadas em mostrar serviço, acabo aprendendo com o Professor e com os colegas. Pago um e recebo dois, não é o máximo?

Na semana que vem, teremos aula com um cara que o Professor já avisou que é mais doido do que ele. Já estou imaginando o que virá. Ou melhor, não consigo nem imaginar o que pode superar a experiência.

Quanto ao conteúdo, estou tendo a maior dificuldade. O negócio é que, para a prova, temos que redigir um discurso favorável e um discurso contrário, em relação AO MESMO TEMA. Dessa forma, já escrevi discursos sobre temas estimulantes como a proibição de guloseimas nas escolas do DF, a adoção do sistema de cotas nas universidades do DF ou o uso de cercas elétricas. Excitante, não é mesmo? Imaginem fazer isso tendo que abrir mão de tudo que aprendeu sobre redação, ou seja, tendo que utilizar mil e um adjetivos e expressões grandiloqüentes. Acrescentem um prazo apertadíssimo para a prova e o cenário está montado.

(E o pior é que eu GOTCHO!)

 
 

Tribo em Festa

Meu irmão Islan (isso lá é nome de cristão, Dona Marta?) faz 23 anos hoje.

Lembro como se fosse hoje (ai, que papo de velho!). Minha mãe, uma bolinha vestida de azul, “indo ali no hospital, para ganhar neném”. Como foi o terceiro filho, ela passou um bom tempo em casa, já sentindo as contrações, mas deixando tudo ajeitado para a família e dizendo coisas como ‘espera aí que vou tomar um banho’. Ela e eu, do alto dos meus nove anos, fomos para o hospital (sem meu pai, que estava trabalhando), caminhando. Sim, a danada ajeitou a casa, tomou banho e foi, toda cheirosa, sentindo contração, dar uma passadinha no hospital, andando mesmo, para ter um filho.

Quando ele nasceu, meu pai já tinha chegado e estávamos na recepção, esperando notícias. Lembro muito bem da enfermeira falando:

- Nasceu, seu Otaviano.

- Nasceeeeuuu??

- Sim, é um menino.

- Menino?? – uma lágrima solitária então desceu dos olhos do meu pai. Sei que é um mega lugar comum, mas foi isso mesmo que assisti, olhando para cima (lembrem, eu tinha 9 anos!). Meu pai, da escola do ‘homem não chora’, deixou uma lagriminha cair, em homenagem ao primeiro varão (deveria dizer varinha, Islan?). Tem coisa mais bonita do que ser recebido no mundo com a emoção sincera e amorosa de alguém?


O rapaz foi um bebê lindo e alegrinho. Dava pouco trabalho e foi quem, lá em casa, menos apanhou, porque era meigo e suave, amolecendo o coração da Disciplinadora (minha mãe). O ruim foi que, quando ele nasceu, Isamar e eu passamos a ter que carregar aquele pacotinho para todo lado. Com ele, limpei o primeiro bumbum de neném (quando a gente briga, sempre jogo na cara dele e do meu irmão Ivens: “me respeita que já limpei muita bunda suja de cocô seu, viu?”. Sempre funciona).

Desde muito novinho, sempre teve uma TREMENDA habilidade de consertar coisas. Destroçou muito carrinho, tentando ver o que tinha lá dentro e passou, lá pelos 11 anos, a ser o consertador oficial de chuveiro, vídeo, televisão, rádio e similares lá de casa. Depois, se apaixonou por computadores e passou a fuçar neles, com o mesmo empenho.


Na adolescência, o cara deixou o cabelo crescer e usou brinco. Hoje em dia, ele renega a fase, dizendo que alguém deveria ter algemado e impedido.

Quando terminou o ensino médio, viveu um período de trevas: sem dinheiro, sem emprego, passou uns dois anos dependurando-se em sótãos da cidade, para passar fiação e ganhar uma graninha com o Alexandre, que foi a única pessoa que estendeu a mão para ele. Depois, conseguiu trabalho e entrou numa fase bem melhor, apesar de bastante trabalhosa.

No final deste ano, ele termina a faculdade de Ciência da Computação. É profissional respeitado, tem um punhado de amigos e uma namorada.

Tenho muito orgulho do homem honesto e competente em que ele se transformou. É incrível acompanhar o modo como um pedacinho de gente vai ganhando forma e se dedicando a realizar sonhos e projetos que nunca imaginaríamos que tivesse.

Desejo que ele seja SUPER feliz. Não vejo a hora da formatura chegar e o carinha poder começar a colher alguns frutos. Acompanho o esforço que faz (trabalha das 8 às 18, faculdade das 19 às 23 horas), a falta de dinheiro, os sapos que engole, e não posso deixar de torcer para que comece logo a viver ‘o primeiro ano do resto de uma (longa) vida’, com muita saúde, paz interior (hoje ele é bem mais esquentadinho do que quando bebê, mas tenho a desconfiança de que, quando tiver uma vida menos apertada, em termos financeiros, vai ficar menos estressado) e prosperidade.

Feliz Aniversário, Islan!

 
 

CHUVA DE GRANIZO

Hoje, no início da tarde, caiu uma chuva de granizo TERRÍVEL no bairro onde moro (“rosas, choveram rosas’, diria minha mãe, que tem horror que se diga ‘pedra, tá chovendo pedra”. Cada vez que começa, ela diz “Minha Santa Bárbara e Meu São Brás”, desliga TODOS os aparelhos elétricos da casa e fica ali, impedindo que os filhos sem noção se aproximem das janelas, das facas e das tesouras).

Nunca vi uma coisa assim. Silvio e eu ficamos da janela, boquiabertos. Era pedra e mais pedra e mais pedra, sem parar. Não era assim “chuva+pedra”. Era assim “chuva DE pedra de gelo”.

Gostei da minha reação quanto ao carro, que estava do lado de fora.

- Issana, vai ACABAR com os carros!!

- Pois é, né, Silvio? Será que o seguro cobre?

- Acho que não... E os CARROS, Issana?

- Ah, são bens materiais, Silvinho. Não foi uma coisa que pudéssemos evitar, não é mesmo? A gente manda consertar.

Fiquei satisfeita porque foi sincero o meu desprendimento. Isso é raro demais, pois geralmente sou aquela pessoa que se descabela, diante dos prejuízos.

Resultado? Os carros não foram atingidos e não deixei de ficar tranqüila, em nenhum momento. Simples, assim.

A meta é agir dessa forma, em todos os momentos e situações. Um dia, eu chego lá...

 
 

AGITO DE CARNAVAL

- Noite de sexta-feira: aula de Redação Parlamentar até as 10 horas. Livro e cama.
- Manhã/Tarde de sábado: café da manhã na padaria. Volta para a cama. Almoço feito em casa, por minhas próprias mãozinhas (arroz, salada, bife) e pelas do Silvio (vinagrete). Livro e sono.
- Noite de sábado: resto do almoço. Leitura de apostila de Redação. Cama.
- Manhã de domingo: almoço na casa da tia do Silvio. Planos de olhar mesas, em lojas. Desistência. Casa. Cama
- Tarde de domingo: filme “A Feiticeira”. Prefiro a série.
- Noite de domingo: Big Brother e lanche.
- Segunda de manhã: sono, VEJA e estudo
- Segunda de tarde: sono, VEJA e estudo
- Segunda de noite: estudo e sono
- Terça de manhã: almoço no “Fausto e Manuel”. Cardápio: bacalhau espiritual.
- Terça de tarde: sono, estudo.
- Terça de noite: estudo, paredão e sono.

Parece tedioso, mas foi ótimo. Estava precisando ter uns dias assim, descompromissados, sem horário, dormindo como um urso em hibernação, lendo o que quiser, na hora que quiser... Essa vida séria, cheia de coisas para fazer, dentro de horários determinados, sufoca e faz a gente esquecer do que gosta.

Que venham outros carnavais assim, tranqûilos e pacíficos!

 
 

REDAÇÃO

Meu professor de Redação disse que é errado usar “atualmente, dias atuais”., mas não conseguiu explicar por quê. Disse que também não entende, mas que, de uns tempos para cá, ficou fora de moda usar esses termos.

Nunca tinha ouvido falar nisso. Será que é isso mesmo?

Hoje pergunto de novo. Não engoli a história. Coisa mais esquisita...

Em Português, humildade é definitivamente a melhor escolha.