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Issanidades

 

VISITA ILUSTRE

Minha mãe esteve por aqui. Fez altos comentários. Achei muito legal!

Seja bem-vinda, Dona Marta. Apareça sempre...

 
 

PLANOS

Ainda que ter um blog no estilo ‘diarinho’ signifique que me disponho minimamente a expor minha vida pessoal a estranhos, tenho meus limites em relação a colocar tudo que acontece. Acredito que quem lê isso daqui deve ter uma falsa idéia de estar acompanhando os meus passos, pois acho que o espaço da intimidade deve ser resguardado e nem tudo deve aparecer por aqui.

Penso que há uma magia nos segredos e que há força em guardar espaços secretos, que só abrimos para os mais íntimos e que nos garantem o mistério necessário para adensar nossas próprias percepções acerca de nós mesmos.

Ler meu blog é desvelar um espacinho sincero, mas incompleto, acerca de mim. Meus planos, por exemplo, quase nunca aparecem por aqui. Conto as coisas acontecidas, o que já não tem jeito de dar errado, as histórias passadas, mas reluto sempre em expor meus desejos e sonhos. Acho que falar muito sobre eles, para pessoas que não conhecemos plenamente, dá um enorme azar (concordo com você, Giorgia!). Acho que esse azar tem a ver não somente com uma certa ‘invejinha’ inconsciente, mas também porque enfraquece, dentro de nós mesmos, a energia que reservamos para tornar nossos planos realidade.

Sei que o assunto é polêmico e respeito as pessoas que optam por outro viés, dividindo seus planos com os amigos blogueiros. Posso estar sendo paranóica ou supersticiosa, mas, para mim, só vale divulgar o ovo quando a galinha já tiver botado!

 
 

EXERCÍCIO DE CONVIVÊNCIA

Na segunda-feira, fui para a biblioteca do MEC estudar (sem ter almoçado, pois tinha uma reunião marcada, a fila do restaurante estava imensa e decidi almoçar depois, para aproveitar o tempo). Chegando lá, TODOS os reservados estavam ocupados com CADERNINHOS e APOSTILINHAS. Biblioteca vazia, mas todos os lugares reservados.

Sentei-me num deles. Afinal, se é para reservar, e chego às 8 horas, poderia deixar uma borrachinha lá, marcando lugar.

Dali a pouco, chega um grupo de pessoas ( que trabalham na minha Secretaria, aliás). Eram os ‘donos’ das baias. A menina se volta para mim:

- Errr... Tinha um material aqui.

- Ah, tinha sim. Tá aqui, ó...

- Mas é que eu ia sentar aí...

- Ah, mas, que eu saiba, não tem lugar marcado aqui não... Olha só, daqui a pouco, tô saindo para uma reunião e você senta. Por enquanto, eu também preciso estudar.

Ela saiu, pisando duro, e eu fiquei por ali, por mais uns 10 minutinhos. O negócio é que não agüentei e, logo depois de pensar um pouco, fui até ela e pedi desculpas (“desculpe, não queria te chatear”).

Refleti um pouco e pensei que talvez estivesse sendo implicante, e procurei reconhecer, diante dela que, apesar de saber que estava coberta de razões, eu percebia que, espiritualmente, não havia sido correta com ela. As coisas são tão difíceis para as pessoas, as dificuldades para estudar e trabalhar são tão grandes... Para mim, nesse campo, graças a Deus, tudo é tão fácil que não tinha o direito de dar piti.

Foi uma conquista, ter conseguido pedir desculpas, até porque, se tenho facilidades ‘intelectuais’, tenho, por outro lado, uma IMENSA dificuldade de superar o orgulho e o ‘sangue quente’.

 
 

HARMONIA

Silvio e eu fizemos uma caminhadinha deliciosa, na segunda-feira, nos arredores do nosso bairro.

Descobrimos uma pracinha silenciosa, arborizada, com a maior cara de interior.

O sol foi se despedindo, a noite foi chegando, e a gente ali, conversando, em total harmonia.

Foi tão bom que hoje pretendemos repetir...

 
 

PROVIDÊNCIA DIVINA

No meio de todas essas conversas sujinhas, esqueci-me de contar que o coitado do Silvio passou muito mal na sexta-feira e tivemos que ir ao hospital. A médica diagnosticou gastrenterite e receitou uma tonelada de remédios que, graças a Deus, deram conta do recado.

Fiquei muito comovida com essa médica. Desde a minha gripona de Natal, estava com uma tosse insistente. Tentei mil coisinhas, mas não passava. Estava enrolando para ver o que era e, como me disseram que poderia ser emocional, estou num período pré-defesa e a tosse realmente aumentava quando ficava mais nervosinha, acabei deixando pra lá.

Como disse, a tosse aumentava, em momentos de estresse. Imaginem então como eu estava, vendo o Silvio se desfazendo de febre....Depois que a consulta dele terminou, a Dra. se virou para mim e perguntou: “ e essa tosse aí?”.

Resultado? Saí do consultório com duas receitas, a minha e a do Silvio.

Ela ‘trabalhou’ com tanto amor que, dois dias depois, parei de tossir, graças ao xarope que indicou. Num mundo tão individualista e mercenário, ela deu um exemplo de atenção e cuidado gratuitos.

Doutora Joane foi meu anjo da guarda. Ainda existe gente boa no mundo.

 
 

FIGURAS DO CONCURSO - II

Ogro. Cabelos compridos ensebados. Barba suja. Onde vai se sentar? É claro, é claro que é na cadeira que fica atrás da minha.

Estica o pezão para a minha cadeira. Observo que tem as unhas compridas e sujas (é claro, né? Não poderia esperar outra coisa!).

Mas as coisas SEMPRE podem piorar: ele passou a prova INTEIRA soltando pum de feijão e arrotando.

Juro.

Essa prova foi um desafio e tanto. Mais do que imaginei que fosse!

Probabilidade paranóica II: o ogro foi plantado ali, por um candidato rico, para impossibilitar a concentração olfativa dos outros candidatos.

Tenho outra dúvida: como é que ele teve coragem de ser tão publicamente nojento???

(Já repararam como atraio peidorreiros (desculpem a palavra, mas não há outra que expresse tão bem o nojo que sinto desses homens!)? No avião, no concurso... Isso só acontece comigo ou com vocês também? Vou me benzer!)

P.S. I.: o Silvio é muito limpinho e não tem dessas ogrices. Faz pum educado, no banheiro, ou vai para um outro cômodo da sala. Não é um fofo, meu amor? P.S. II: Taí, Silvinho, mais um dentre os oitocentos e noventa e nove mil motivos pelos quais estou com vocë!

 
 

FIGURAS DO CONCURSO - I

Moça bonitona. Shorts minúsculos, super adequados ao ambiente. Chega espalhafatosamente. Coloca as duas pernas na cadeira.

Os homens estão mesmerizados (“que gostosona!”).

As mulheres estão mesmerizadas (“como é que ela tem coragem?”).

Também fico olhando. Quando me dou conta, fecho os olhos.

Probabilidade paranóica: a menina foi plantada ali, por um candidato, para distrair os concorrentes. Na verdade, há várias delas, uma em cada sala, prontas a cruzar e descruzar as pernas, duzentas vezes, no decorrer do concurso (paranóia montada com a colaboração utilíssima do Silvio).

Mas eu só tenho uma dúvida: como é que ela teve coragem?

 
 

VIDA DE CONCURSEIRA

No fim-de-semana, fiz, “por esporte”, o concurso da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Digo “por esporte” porque não tinha a menor chance de me classificar: não estudei nada (e lá tenho tempo para estudar outra coisa que não seja a relação entre diálogo e assembléias escolares, nestes tempos de defesa próxima?), eram pouquíssimas vagas (2, para “Redação Parlamentar” e 3, para “Revisor de Texto”) e eu nunca cheguei perto de uma apostila de Direito Administrativo.

Apesar de todos esses senões, era inevitável que meu nível de competitividade “concursística” viesse à tona. Simplesmente a-do-ro fazer provas, disputar torneios intelectuais (doentio, não é mesmo?). Para mim, provas são mesmo esporte. Costumo sair delas com a adrenalina lá no alto, toda alegrinha e envolvida com as questões (definitivamente, doentio!). A vontade de disputar é tanta que nem me dou conta de que, no caso de alguns certames, como esses dois, estou exatamente na posição daquele pessoal que parte, na correria, na São Silvestre, para ficar na frente, por alguns segundos que sejam, mesmo não tendo se preparado adequadamente para dar conta de toda a prova e serem humilhantemente ultrapassados por algum queniano (esse sim, preparadíssimo.

Então, mesmo não tendo estudado nadica de nada, acordei no sábado totalmente animada. Passei a manhã em ‘estado de concentração’, o que incluiu uma sonequinha extra antes da saída, umas quinhentas conferências na identidade e no comprovante de inscrição (“será que coloquei mesmo na carteira?”) e na agüinha e na barrinha de cereais e no agasalho (“vai que tem ar condicionado? Passando frio, não faço nada!”), uma comidinha leve (pra não dispersar no horário da prova), uma prece no carro, com o Silvio... Depois, foi o ritual lá dentro: chegada uma hora antes, ansiedade (“será que meu nome tá na lista?”), duas idas ao banheiro antes da prova (“com vontade de fazer xixi, não faço nada!”) e, finalmente, o GRANDE MOMENTO, aquele em que o sinal toca, a galera suspira e se ajeita na cadeira, enquanto os fiscais vão distribuindo, solenemente, os cadernos, enquanto fazem mil e uma recomendações amedrontadoras.

Saí da prova animadíssima, apesar de ter adotado uma estratégia completamente burra, dando uns oitocentos chutes - e o pior é que, no domingo, continuei insistindo, marcando aquelas nas quais tinha ‘quase certeza’. Dessa forma, posso tanto ter brilhado (pouco provável, sem falsa modéstia, juro) quanto ter me ferrado, já que uma errada anula uma certa.e minha redação foi uma bosta, girando ao redor do seguinte argumento “Filosofia e Sociologia são importantes porque fazem pensar, e fazer pensar é importante, então Filosofia e Sociologia são fundamentais”...

No domingo, foi mais ou menos a mesma coisa, com alguns pequenos detalhes, inclusive uma reconfortante ausência de redação. Entretanto, nem tudo foram flores, no domingo, e vou contar o motivo no próximo post, ok ?

 
 

PAPO PÓS-POST

Ana Paula, depois que leu o post sobre coentro:

- Puxa, Issana, então a gente não é da mesma família espiritual, né?

Fique tranqüila, Ana. Tenho certeza que vamos descobrir uma coisinha para detestarmos juntas. Faço questão disso!

 
 

MEDO

Minha defesa está próxima, muito próxima.

Quem diria, hein?

 
 

VIVENDO E APRENDENDO...

Sete coisas que descobri nos últimos dias:

- mexer minimamente numa planilha de Excel não é tão difícil assim;

- romã é bom para tosse;

- comida mexicana em excesso dá dor de barriga;

- prefiro livros a filmes, mesmo achando uma burrice achar que uma coisa exclui a outra;

- Deus é imanente e transcendente a nós, e isso é reconfortante;

- estou com saudades de dar aula;

- a simples visita de uma pessoa pode encher minha casa de luz.

 
 

FÁCIL DE AGRADAR V

Hoje à tarde, paramos em frente ao Palácio do Planalto, pois estava na hora do Kirchner, Presidente da Argentina, se retirar.

Apesar do sol forte, achei que foi uma super experiência. Ficamos bem próximos e, quando ele saiu, demos tchauzinho para o homem. Ele respondeu.

Achei o máximo.

 
 

COENTRO, O TERROR

Desde que vim a Brasília, descobri que tenho verdadeiro HORROR a uma certa plantinha, que encontrava em alguns alimentos por aqui. Não sabia o que era, mas, pela primeira vez (não sou muito chata com questões alimentares), descobri que simplesmente não suportava alimentos feitos com aquilo que, acreditem, chega a me dar náuseas.

Hoje, confirmei a suspeita: é coentro.

Blergh, blergh, blergh!!

(O mais engraçado é que tanto a B. quanto meu pai também detestam o negócio. Será que a nossa família espiritual tem algum problema coentral? )

 
 

VIDA DE PLÁSTICO

“Eu não gosto do bom gosto.
Eu não gosto de bom senso.
Eu não gosto dos bons modos.
Não gosto.” (Adriana Calcanhoto)

(Na conversa a seguir, não há referência velada a nenhum dos meus visitantes, até porque, dentro dos limites impostos pelo meio, acredito que há MUITA gente efetivamente interessada em estabelecer pontes de afeto e de amizade virtuais. Não se trata, portanto, de “indiretinha”, ok?)

Não sei se por encanto da idade ou da troca de trabalho ou simplesmente por estar acompanhando o Big Brother 6, tenho andado bastante incomodada com falsidades. É bom utilizar o plural, porque pessoas falsas agrupam-se em nichos variados. Há a falsidade gentil, aquela que todos utilizamos, por exemplo, no trabalho, para não nos indispor com os colegas, ou no convívio com pessoas queridas, sublimando o cabelo mal-cortado da amiga (repito que não estou me referindo a nenhuma pessoa ou situação específica) ou o cheiro de cecê (tão legal escrever isso... cecê... é um nome que já arde por si só, apesar de ser estranhamente fofo) do irmão...

Apesar de ser menos letal, a falsidade-gentileza nos acostuma (a gente se acostuma, mas não devia...) a colocar máscaras em cima das máscaras inconscientes que já aplicamos, assim como uma segunda pele. Viramos um pesado boneco, a arrastar máscaras, que se sucedem, pesando nosso rosto e impedindo que nosso olhar se encontre com o das outras pessoas, de forma autêntica. Disfarçamos tanto e nos preocupamos tanto em ser politicamente corretos e agradáveis e simpáticos e legais que a nossa essência acaba não se manifestando.
Somos educadinhos, mas superficiais.

Não defendo aqui que as pessoas comecem a se atropelar e agredir, a título de serem sinceras. O que defendo é que, de alguma forma, enchamos nossos corações de afeto, compaixão (outra palavra bonita demais!) e amor pelas outras pessoas, de modo a não nos incomodar REALMENTE pelas suas pequenas (ou não tão pequenas assim) manifestações de imperfeição.

Um segundo tipo de falsidade é a “tirando vantagem em tudo”, também conhecida por “fazendo os outros de escada”. Diferente da gentil, é aquela o pessoal do BBB usa, dando gritinhos pouco convincentes, no dia do paredão,fazendo o gênero-família, mesmo que não mantenham boas relações, ou chorando, quando outra pessoa é indicada, mesmo que estejam pensando, na verdade, que ‘antes ele do que eu’. Não estou falando que alguém não possa ter tido emoção verdadeira naquela ambiente. O que estou falando é que percebo (ou acho que percebo) uma necessidade de agradar, para se conseguirem vantagens, que chega a ser nojenta. Quantas pessoas, no cotidiano, não se aproximam de nós atrás de algum ganho? Quanta gente dá três beijinhos para cercar a própria vida de possíveis contatos úteis (isso tem até um nome, “networking”), sem o menor interesse de se estabelecerem contatos humanos verdadeiros, plenos, ricos?

Acho que o texto já está imenso, e vou parando por aqui. Antes disso, entretanto, quero falar do pior tipo de falsidade possível, que é a que cultivamos de nós para nós mesmos. Se gostamos de pagode, por que só ouvir MPB? Para parecer chique e descolada? Acho que não vale a pena. Realmente, não vale. Por que não assumir que é uma experiência fantástica ouvir um pagodinho, tomando cerveja na laje e banho de mangueira? Assumir nossas breguices e idiossincrasias (opa!) faz parte do pacote que recebemos de Deus, um pacote que inclui um único compromisso: nos conectarmos conosco mesmos e nos tornarmos pessoas melhores, mais autênticas, ainda que isso inclua um pingüim em cima da geladeira.

O resto é apenas vida vegetativa, vida tão falsa quanto uma bolsa Louis Vitton comprada na Feira dos Importados, aqui de Brasília.

 
 

"Se eu fosse você"

No fim-de-semana-maravilha, assistimos ao “Se eu fosse você”, filme com Glória Pires e Tony Ramos. Não sei se já contei por aqui, mas costumo me entediar muito fácil, com filmes. Em algum momento da trama, acabo bocejando, com vontade de sair correndo. Sei que uma coisa não elimina outra, mas prefiro livros.

Dito isso, devo fazer o maior elogio possível a um filme: me diverti VERDADEIRAMENTE a cada segundo do filme, que é leve, engraçado e, por incrível que pareça, faz pensar.

Recomendo.

 
 

MAGIA

Fomos, nós e o querido casal de amigos, passear pelo Pontão que, para quem não conhece Brasília, é um lugar mágico, na beira do Paranoá.

Sentamo-nos na beirinha da água e ficamos apreciando o entardecer. Conversei um pouco, ouvi muito, chorei um pouco, fiz alguns planos com meu amor e, para completar, dei voltinhas consumistas na BSB MIX, que é uma feira super legalzinha, e terminei a noite tomando um drinque de morango e comendo escondidinho de camarão.

É merecimento ou privilégio? Não sei, só sei que é magia pura.

 
 

DES-ABAFAR

Acho a palavra ‘desabafar’ reconfortante.
Des-abafar é retirar o abafamento que, posso perceber agora, chega a ser uma realidade física.

Angústia represada é panela de pressão, prestes a explodir. É preciso ir ‘soltando o gás’ (!), aos pouquinhos, com classe, pois corremos o risco de, numa hora inesperada (‘era a gota que faltava’), explodir e causar estragos.

Quando des-abafamos, aliviamos a alma, deixamos de estar oprimidos, liberamos o gás (!).

Nestes últimos dias, o que mais tenho feito é isso: desabafar. É tão booomm.....

 
 

MUTIRÃO

Ontem e hoje, fizemos um mutirão no trabalho, para dar conta de organizar um material do Pró-Letramento. Fomos de van para a garagem do MEC e passamos as últimas manhãs carregando caixas, formando e embalando kits.

Estou com meus braços doendo e minhas mãos estão ásperas e doloridas, mas gostei do trabalho. Para mim, que faço um trabalho intelectual por natureza, poder exercitar o corpo e deixar a mente vagar é uma delícia.

O corpo reclama, mas a alma agradece. Que venham mais mutirões!

 
 

VISITAS

Um dos motivos do meu desaparecimento é a visita dos meus amigos. Nossa, como tenho estado feliz. Sou realmente uma pessoa que aprecia visitas em casa (apesar de não ter o menor jeito ‘dona de casa’ e de ter, por exemplo, deixado minha amiga dormir duas noites sem cobertor, até que ela tomasse coragem e perguntasse, muito delicadamente, se não podia ‘pegar aquele edredom que tá lá no armário”).

Acho que a questão é que só tenho recebido gente que amo, na minha casa. Talvez por isso me sinta tão feliz por ter aqueles rostinhos conhecidos e queridos por ali, desfrutando do nosso apartamento. Ontem, por exemplo, a B. passou mal e não saímos. Ficamos em casa, assistindo ao BBB, um tipo de programa furadíssimo de quem não tem o que fazer, e mesmo assim foi divertido, pois ficamos trocando figurinhas sobre nada, quer dizer, sobre o programa, e sobre nós mesmos, o que é um delicioso exercício de auto-conhecimento.

Acho fascinante a amizade. Para mim, é a pura expressão do amor. Quando se tem um amigo (estou falando de um padrão de amizade que não se limita a afinidades circunstanciais, mas a algo que é raro, muito raro, e que tenho o privilégio de desfrutar), mesmo assistir ao BBB fica interessante e divertido, pois se pode trocar idéias, falar sobre si mesma, ouvir o outro.

 
 

Vale a pena, se a alma não é pequena

Estou realmente com saudades do blog, mas os últimos dias têm sido muito corridos. Trabalho pesado (os dias de folga definitivamente ficaram lá, guardadinhos na suave lembrança do mês de dezembro) e envio da versão definitiva da dissertação para a banca...

Estou parecendo um zumbi, de tanto sono, mas, por incrível que pareça, também estou curtindo cada segundo. No trabalho, curto a dinâmica de fazer uma coisa bem-feita, de ver os resultados das minhas ações. Quanto ao mestrado, nada substitui a sensação de ver aquele troço de 192 páginas, que foram pensadas uma a uma, que foram concebidas e revisadas mil vezes, me fazendo crescer, evoluir.

A cada dia, fico mais convicta de que crescer dói e dá trabalho. Também estou me convencendo, entretanto, de que não há opção.

 
 

EQUAÇÃO PERFEITA

B. e G., nossos grandes amigos, vêm passar uma temporada conosco.

Estou muito feliz. Incomensuravelmente (opa!) feliz.

E o melhor de tudo: vamos para Caldas Novas, passar um destes fins-de-semana.

Não é uma equação perfeita? Amigos + viagem = paz.

 
 

FORÇA DA ORAÇÃO

Estou vivendo um momento muito interessante. Ao mesmo tempo em que estou na maior correria (sim, amigos, o Orientador pediu que modificasse uma série de coisinhas na dissertação, o que significa que voltei quase à estaca zero, em termos de formatação do trabalho), também estou super tranqüila.

Há oito meses não me sentia assim, conseguindo, à noite, deitar e relaxar cada músculo, orar, planejar a vida e, durante o dia, dar andamento nas coisas que devem ser resolvidas.

Estava comentando com meu pai e minha mãe que tinha alguém rezando por mim. Só pode!

(Minha mãe disse que era ela...)

 
 

A FOLGA JÁ ERA....

Hoje todas as minhas chefes, de A a Z na escala hierárquica, voltaram das férias.


Acabou a moleza.

 
 

SAGA DO DEDÃO

Agora que já passou e tirei os curativos, quero contar como foi a minha saga, no dia em que, corajosamente, decidi procurar um local adequado para tratar da minha unha encravada.

Antes disso, preciso dizer que esse ‘encravamento’ foi um dos problemas que Brasília me trouxe (ou agravou?). Manicure nova, já viu, né? Não sei de que forma ela cortou minhas unhas, mas, acredite, eu que nunca sofri com isso passei minha semana de recesso levando topadas inacreditavelmente dolorosas dos meus sobrinhos. No final, o canto esquerdo do pé direito estava com uma bolha enorme de sangue.

Apesar de toda a minha disposição para enrolar e deixar para amanhã, acabei tendo que procurar ajuda, sob o risco de virar uma bela moça frágil sem dedão. Marquei para a terça e fui, impavidamente, gastar preciosos 52 reais num procedimento desconhecido que me prometia devolver a paz para um dedo sofrido. Mal sabia que o preço a pagar seria maior: não era uma questão meramente monetária. Era preciso também oferecer suor, lágrimas e sangue, muito sangue.

O primeiro desafio foi encontrar a loja, no maior shopping de Brasília. Reparem bem, vim de Três Corações, ovinho de cidade encravado no sul de Minas, e me acostumei mal, a transitar por poucas ruas conhecidas e fáceis. Por isso (e não somente por isso!) desenvolvi uma noção espacial que beira o ridículo, o que me fez ficar zanzando, pra lá e pra cá, perguntando para atendentes mal-humoradas e seguindo trajetos que não entendia, mas fingia entender, para não ser mais inconveniente ainda do que me sentia, ao atrapalhar as tediosas vidas das atendentes de quiosque que abordei. Zanzei tanto, passei por alas e mais alas de um mesmo piso (e olha que tinha o endereço, mas a incompetência espacial era maior que tudo), até que, não havendo mais como errar, acertei e fui parar na tal loja.

Loja ou clínica, não sei bem definir, mas se trata de um espaço bem clarinho, cheio de azuis e brancos e transparências, com um punhado de palmilhas e órteses (primeira vez que ouvi falar disso) e creminhos salvadores. Ao fundo, uma saletinha, onde paguei meus pecados.

Antes de começar o procedimento, entretanto, amarguei uns 10 minutos, sentada, com fome, lendo uma Caras antiga e irrelevante, enquanto a moça que iria me atender, gravidíssima, ligava para o INSS, para resolver a licença dela. Quando resolveu me atender, eu já estava preocupada, com receio de ter que fazer o parto dela ali mesmo, no meio de pés cascudos e unhas encravadas.

Mas tudo correu bem, ela encerrou a ligação, reclamou com a colega ao lado (que não seria quem daria o atendimento) que estava com medo da licença dar errado e nos dirigimos, nesse clima otimista e alto-astral, para a saleta de atendimento.

Espichei meu pezão e ela desceu uma luminária maneira, que fez a minha bolha ficar maior ainda. Explicou algumas coisas, cutucou vários lugarezinhos doloridinhos, pediu que evitasse manicures incautas (como se eu não já tivesse jurado isso para mim mesma!) e começou.

Juro que quase morri (e olha que sou conhecida pela frieza na hora da depilação). Ela passava um spray, que deveria ser o anestésico, mas que ardia demais e, imediatamente após, enfiava um negócio compridão o pelo meu canto de unha afora, sem dó nem piedade, intercalando o procedimento a frases encorajadoras como “fique quieta com esse pé ou vou te machucar com a pinça” ou “nossa, sei que dói mesmo, um cara até desmaiou aqui, na semana passada” ou “fique calma, fique calma, tá quase acabando, assim não consigo”.

Quando ela terminou, não acreditei. O alívio foi imediato. O dedo parou de pulsar e eu nem me importei mais com tudo que ela dizia, coisas como “você volta daqui a 48 h e depois a gente corta direitinho suas unhas, pra não dar problema, e você põe uma órtese (!) e tudo vai ficar tranqüilo”.

Acho que renasci. Eu e o meu dedão.

 
 

AGENDA DO SILVIO

- 8 às 14 – trabalho;
- 14:30 às 17 - aula na UnB;
- 19 às 23 h – aula do cursinho.

É ou não é um guerreiro?

( E eu que tinha medo de me casar com um preguiçoso, que não batalhasse pelos próprios sonhos. Deus costuma mesmo ouvir preces...)

 
 

ONDE ESTÃO MEUS SAIS?

Ontem, recebi um e-mail do Orientador, me perguntando se era mesmo o que ele estava achando e eu tinha mudado toda a minha análise de dados, sem autorização da banca.

Respondi que não teria essa ousadia e não tinha mudado uma vírgula da análise.

Segundo ele, são os ares da nova cultura (ele está em um outro país), que o deixaram confuso.

Nossa, não vejo a hora de defender. É cada susto!

 
 

MAIS UMA DA SÉRIE "SOU FÁCIL DE AGRADAR"

Acabei de ganhar uma linda romã. Vermelha, imensa, deliciosa.

Acho que, além do sabor, o que me atrai nessa fruta são as lembranças que ela me traz: casa de vó, infância feliz.

 
 

HISTÓRIA PARA COMEÇAR O ANO

Hoje vi um senhor atravessando o Eixo Monumental.

A filha dava a mão para ele, que não era tão velho assim, mas tinha um rosto cheio de marcas, daquelas que o serviço pesado deixam nas pessoas.

Ele estava visivelmente ansioso, com medo de atravessar, e ela dizia, carinhosa:

- Vamos atravessar, pai. Agora dá, não tem perigo. O sinal acabou de fechar.

Ele tomou coragem e saiu, pipocando pela faixa, na maior correria.

Para algumas pessoas, atravessar uma rua é superar limite.s

Desejo, sinceramente, que cada um dos visitantes deste blog possa fazer isso, em 2006: atravessar as ruas das próprias limitações, tomar coragem para sair correndo (quando o sinal estiver fechado, por favor!) e chegar ao outro lado, o lado aonde se quer chegar.

 
 

CURA-TUDO

Para qualquer tristezinha, nada como ficar em casa. Para mim, pelo menos, é assim que funciona.

Tá doendo? Quero o aconchego do meu travesseiro e o silêncio escuro do meu quarto.

Tá difícil? Quero um pãozinho quente com manteiga derretendo e um bom copo de café.

Tá complicado? Quero um livro bem mágico, saboroso, de preferência com muitas páginas e com uma história beeem demorada.

Depois disso daí, estou pronta para sair do ninho, para voar bem alto.

 
 

E O PULSO... AINDA PULSA

Unha encravada.

Tosse ininterrupta, daquelas de dar dor no peito.

Noite mal-dormida.

Uma certa melancolia.

Minha vida daria uma música dos Titãs.

 
 

DOR E CONSCIÊNCIA

A viagem foi fantástica. Estava imaginando algo mais tranqüilo, mas meus sobrinhos se encarregaram de transformar cada momento numa experiência barulhenta e... deliciosa. Aproveitei cada segundo ao lado deles, encantada. Fiquei simplesmente apaixonada pelo meu sobrinho João Otávio, que é um baixinho loirinho muito, muito, muito fofo. Ele tem 1 ano e 2 meses e já entende tudo que se fala com ele, apesar de ainda ser mudinho. Passei horas conversando com ele, que vive intensamente a aventura de explorar cada cantinho do mundo, e vendo as reações dele: “vira a pazinha, Janjão” (ele dava um sorriso de arrasar quarteirão e virava). “Não mexe na flor da vovó, João” (ele saia de fininho do lugar, depois de fazer outras três ou quatro tentativas e se conformar de que realmente o lugar era proibido).

A viagem foi intensa não somente por isso. Conversei muito com as pessoas da minha família e, acreditem, é cada situação, são tantos dramas pequeninos, cotidianos, que elas vivem, que minha vontade é de estender minhas asas de galinha (?) choca e protegê-los, facilitar as coisas, fazê-los mais felizes. Entretanto, nem tudo está sob meu controle, inclusive no que diz respeito aos meus próprios ‘draminhas’, e isso (mas não somente isso) reforça minha crença numa Força Maior, que está no comando de tudo e que percebe sentidos onde só percebo dificuldade, dor.

Por paradoxal que possa parecer, saí de lá com as energias refeitas, o que prova que o único problema insolúvel é a falta de amor. Onde há afeto, acolhida, a vida, que é rapadura (doce, mas dura), fica menos cinzenta, mais plena. Enfrentar os próprios sentimentos, nem sempre confortáveis, certamente torna a vida mais dolorida, sofrida, mas também muito mais refinada e consciente. O resto (consumo, dinheiro, títulos) é mera sobrevivência vegetativa, que nunca vai, por si só, nos fazer seres humanos melhores.

 
 

CASAMENTO ÍNTIMO?

“CASAMENTO ÍNTIMO DE DANIELLE WINITS”: juro que li isso hoje, na capa da Contigo.

Quando for fazer meu casamento íntimo, bem discreto, também espero contar com a cobertura da Contigo...