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Issanidades

 

FAMÍLIA

No sábado, descobri que minha irmã, que mora numa cidade perto de Recife, vai para Três Corações, e eu finalmente vou poder vê-la, DEPOIS DE DOIS ANOS, e conhecer meu sobrinho João Otávio, que, por enquanto, só tive o prazer de descobrir loirinho e bolachudinho, por uma dessas webcam.

Fiquei feliz demais, cheia de planos, animadíssima.

No domingo, me preparei para falar horas com minha mãe, e ela estava em plena briga com meu pai. Falei algumas coisas (muito lúcidas, na opinião do Silvio, que ouviu a conversa...) e ela bateu o telefone na minha cara.

Família: só quem tem pra entender a dor e a delícia.

 
 

FILOSOFINHA

Há coisas pequeninas na vida que nos animam.

Andava meio enfastiada da comida do restaurante do MEC e descobri que, no prédio ao lado, por um preço menor, posso comer algo muito mais gostoso (pelo menos, para mim, que enjoei do tempero ‘mequiano’), com uma vista linda para o Lago Norte.

Muitas vezes, a solução para nossos problemas está ali, no prédio ao lado.

Basta a gente se mexer. Uma mexidinha, uma relaxadinha, e tudo se encaixa, não é mesmo?

 
 

PELAGIA

Incrível como me identifico com esta menina: www.rapanui.blogspot.com

Só lendo para entender...

 
 

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Passamos pela Rodoviária de Brasília, a caminho do trabalho. Quem conhece a cidade sabe que esse é um local de muito movimento, onde as pessoas chegam de manhã, para trabalhar no Plano Piloto, e partem à noitinha, de volta às cidades-satélite.

O sinal de trânsito fecha e as pessoas começam a atravessar a avenida, apressadas. Na minha frente, passam homens e mulheres. Mulheres de cabelos longos. De cabelos curtos. Peles claras e escuras. Roupas coloridas. Roupas discretas. Um brinco aqui. Um salto alto ali. Uma bolsa da moda. Uma pasta de trabalho. Um punhado de sonhos.

Quantas delas apanham em casa? Infelizmente, muitas.

Apanham caladinhas. Afinal, o homem banca as contas. É pai. É tão bonzinho, é só não esquentar a cabeça dele Não se pode viver sem ele. O que as amigas vão dizer? É só não provocar...

Apanham caladinhas porque aprenderam com a mãe que o homem é o chefe da casa e pode “disciplinar” todo o mundo. Que depois do tapa vem o carinho. Que o mundo é assim mesmo, fazer o quê?

A violência contra a condição feminina é cultural, mas não é natural e, portanto, deve ser combatida. Afinal, o uso da força física para fazer valer certos argumentos é a tática mais degradante que uma pessoa pode assumir.

Trabalhei como professora e presenciei muitas situações de violência contra a mulher. Jovens adolescentes que apanham dos namoradinhos. Professoras arrimo de família chegando para trabalhar de olho roxo. Escândalo na porta da escola, com direito a carro guinchando e moça estirada no chão, empurrada pelo marido. Demos conselhos, fizemos denúncia, como escola, mas poucas vezes vi algum resultado. Não vi resultado, mas fiz a minha (pequena) parte, acreditando que em briga de marido e mulher se deve, sim, meter a colher. De preferência, a colher de pau!

Não há respostas fáceis. Acho que uma alternativa (mas não só ela, pois ,como disse, denúncia corajosa e punição severa também são fundamentais!) é a de educar nossas meninas e meninos (já estou falando como professora, hehehehe) a vivenciar corajosamente a igualdade na diferença, a idéia de que os opostos devem se atrair (e não se destruir... é lei da física!) e de que toda violência sinaliza desequilíbrio íntimo e, portanto, deve ser denunciada e punida.

Este post foi coletivamente articulado pela Denise (www.sindromedeestocolmo.com)

 
 

VIDA INTERIOR

Comentava com o Silvio que gosto de conversar com o pai dele, porque sinto que ele “tem vida interior”. Aparentemente isso é um contra-senso. Afinal, todas as pessoas (pelo menos, acho eu...) têm vida interior, são capazes de abstrair, de se expressar através da linguagem, mas o que quis dizer foi diferente.

Há pessoas que ruminam as experiências que vivem e se tornam sábias. Outras tantas, vão vivendo, sem essa ruminação, e acumulam anos, não sabedoria.

Ruminar a vida, os sofrimentos, as alegrias, as frustrações, as realizações, é algo que acho essencial. O que chamo de ruminar não quer dizer guardar mágoa, rancor. Pelo contrário, tem a ver com um profundo trabalho de “deixa pra lá”, que deve vir das entranhas, de uma consciência que não se adquire numa visitinha periódica a um templo ou mesmo a um analista. Se não é mexer na ferida, certamente é fazer cirurgia, remover tecidos cheios de tumor, muitas vezes sem anestesia.

Para muitas pessoas, as coisas não funcionam assim, e não vou entrar no mérito dessa questão, até porque cada um sabe onde o calo aperta. Minha busca, entretanto, é exatamente essa: auto-conhecimento, serenidade, sabedoria. Ainda estou longe disso, mas com certeza já desenvolvi um faro danado para reconhecer, na multidão, as pessoas que fazem isso. Elas têm uma profundidade que me atrai, e as reconheço em todos os lugares. São raras, mas me são caras, muito caras.

Quando era mais jovem, visitava uma colônia de hansenianos. Eram todos bem velhinhos, remanescentes de uma época em que a lepra (na época, chamava-se assim) condenava o paciente a se afastar do convívio social, dos afetos, para “purgar’ a audácia de ter adoecido. Hoje em dia, as coisas não são mais assim, mas essas pessoas que conheci acabaram ficando por ali, pela Colônia Santa Fé, onde, bem ou mal, tinham construído suas vidas e suas histórias.

Pois bem, a nossa Mocidade Espírita visitava os velhinhos, que adoravam nossas canções juvenis desafinadas (um de nós sempre levava um violão) e nossa conversa desajeitada. Dentre esses velhinhos, estava o Seu Benevides.

O Seu Benevides não tinha orelha, nariz, falanges dos dedos e estava quase cego. Entretanto, foi a pessoa mais linda com que convivi. Era divertido, bem-informado, reconhecia alguns de nós pela voz e sempre nos fazia sair dali mais leves. Íamos visitar, mas acabávamos “visitados”. Ás vezes, chegávamos pesados, carregando nossos problemas “imensos” e ficávamos ali, diante daquele velhinho gente boa, que só tinha de seu um radinho de pilha “pra ouvir a Voz do Brasil”, pequeninos, microscópicos.

Creio que muito disso que sentíamos nele se deve a isso que, na falta de melhor termo, chamo de “vida interior”. Ele pegou uma experiência super difícil (uma das mais difíceis que uma pessoa poderia viver, na Terra) e transformou-a em sabedoria, suavidade. Para fazer isso, deve ter chorado muito pelos cantos, rezado bastante, pensado muito na vida. Daí, transformou limão e limonada...

Para quem chegou, heroicamente, ao final deste post enorme, meus votos de que consigamos, você e eu, chegar (sem tanto sofrimento, espero eu...) a um estágio de evolução espiritual parecido com o dele.

P.S.: Dedico este post à Beatriz, amiga-irmã, que viveu essas experiências ao meu lado.

 
 

RECREIO

Não paro um segundo. Resolvo coisas do trabalho e, nos intervalos, acerto minha dissertação. Meu almoço dura 30 minutos, contados a saída da sala, a descida de 5 andares, sem usar elevador, a fila para escolher a comida, o prato principal, o pagamento da despesa, a escovação de dentes e a volta à sala.

Enquanto isso, lá fora a coisa está pegando fogo do lado de fora. Estudantes e professores federais em greve fecharam o MEC (entrei pelo anexo), gritaram palavras de ordem o dia todo e, agora, trocam uns sopapinhos com a polícia.

Estou ilhada aqui, esperando uma palestra que o Silvio está assistindo terminar, e simplesmente não consigo produzir mais nada. Estou com fome, cansada e frustrada por não estar aproveitando o tempo como devia. Na verdade, este é o momento do dia em que dou uma pausa, faço um bom lanche em casa, tomo um banho e, adivinhem, volto a trabalhar no mestrado. Ficando por aqui, continuo trabalhando com as coisas do MEC: um telefonema para atender, uma coisinha para resolver... Local de trabalho, definitivamente, não é para mim, depois de mais de 8 horas de trabalho intenso!

Entra aí o papel do blog: recreio. Afinal, sou humana.

Será??

 
 

DEFINIÇÃO DE DESCANSO V

- Conversar com meu pai.

(Como vocês podem perceber, estou precisando de um descanso...)

 
 

DEFINIÇÃO DE DESCANSO IV

Dividir um creme de cebola, no Bar Nautilus, tomando Coca-cola.

 
 

DEFINIÇÃO DE DESCANSO III

- Centro espírita;

- Boa palestra.

 
 

DEFINIÇÃO DE DESCANSO II

- Noite chuvosa;

- Filme legal;

- Caixinha com o Silvio;

- Pausa para uma pipoca.

 
 

DEFINIÇÃO DE DESCANSO I

- Banho quentinho;

- Lençóis limpos;

- Noite chuvosa;

- Romanção bem inútil e saboroso

 
 

MASOQUISMO

Sei que posso parecer repetitiva (e sou mesmo!), mas essa história de mestrado é realmente muito pesada.

Quando comecei, em fevereiro de 2003, assistia ao desespero dos meus colegas que tinham o mesmo orientador (ele fazia reuniões todas as semanas) e falava para mim mesma: “não, não deixarei as coisas chegarem a esse ponto. Não, não vou usar todo o prazo, vou terminar isso antes. Nossa, que pessoal enrolado! Comigo as coisas vão ser diferentes...”

Pois é, eis-me aqui, na mesma situação deles. Em primeiro lugar, porque não pude me dedicar totalmente à tarefa. No primeiro ano, estava fazendo as disciplinas e sua série de trabalhos e atividades nada a ver com o projeto, e era etapa do exame de proficiência em inglês (onde estudo, a prova de proficiência é feita depois que o aluno entra no curso...), para o qual tive que estudar bastante, pois proficiente eu só sou mais ou menos é em português.

No segundo ano, comecei a dar aulas numa universidade da minha terra e, acreditem, foi preciso aprender tudo de novo: organizar materiais (dava umas disciplinas nada a ver com minha experiência anterior, como “prática de formação profissional em educação física”), lidar com a burocracia do preenchimento on-line de notas, viajar para uma outra cidade, uma vez por semana, para trabalhar, agüentar umas chatices inacreditáveis de alunos.. Além disso, no segundo semestre desse segundo ano, comecei a namorar o Silvio e passei a me dedicar a um relacionamento, coisa que nunca tinha feito antes, com a intensidade com que fiz.

O terceiro ano, vocês sabem, é este agora, no qual fiz um concurso, mudei de cidade, fiquei
longe dos meus pais, passei a morar com uma outra pessoa, passei a trabalhar em algo que não conhecia...

Enfim, independente dos motivos, aqui estou, do mesmo jeitinho dos meus colegas, descabelada e, acreditem, a sensação é de estar afundando em areia movediça: quanto mais me mexo, mais afundo. Até sexta, quero enviar uma versão para o Orientador dar ok e, depois, encaminhar para os trâmites burocráticos, para defender em fevereiro. Quero enviar e vou, daqui a pouco, fazer compras para nossa casa. É realmente uma tarefa inacreditável, equilibrar tantos pratinhos!

Tenho andado com a corda no pescoço, mas vale a pena. Além do título, também há um certo prazer aí. Na minha qualificação, por exemplo, recebi alguns elogios muito gostosinhos. Além disso, é fantástico perceber os nossos próprios avanços. Particularmente, era uma analfabeta acadêmica e aprendi muiiitoo, muuuiiitoo...

 
 

TECNOLOGIA

TECNOLOGIA
Estava aqui com um probleminha no mouse e a Ana Paula deu um jeito. Para isso, tive que deixar de usar o mouse por uns cinco minutos. Senti-me tão desamparada... Acho que ele virou uma extensão das minhas mãos.

Como um pensamento vagabundo dá origens a vários outros pensamentozinhos vagabundinhos, e pensamentozinhos vagabundinhos devem ser partilhados com alguém (no caso, com o blog), antes que eles lotem nossa cabeça e a gente acabe explodindo de besteirite aguda, lá vai:

- 05 anos: minha casa só tinha um radinho, no qual minha mãe ouvia coisas como Gil Gomes, enquanto lavava roupa e a gente brincava;

- 12 anos: ganhamos (eu e minha irmã) um rádio que sintonizava FM e – luxo dos luxos – tocava fitas-cassete. Dessa forma, ligávamos para a rádio local (Rádio Tropical FM) e pedíamos coisas como música do Menudo, do Patrick Swayze (“she’s like the wind....”) ou mesmo da Madonna. Depois, nossas amigas iam lá pra casa e a gente passava horas ensaiando passinhos de dança, voltando a fita oitocentas e noventa e nove vezes, até que ela se acabasse, por exaustão, e a gente chorasse lágrimas de sangue, já que, como se pode observar no relato, não tínhamos dinheiro para nada, nada mesmo.

- 22 anos: comprei, com toda a pompa e circunstância, já que estava “formada” e sobrava uma graninha, um aparelho que - oh! – tocava CD também.

- 31 anos: o Silvio “baixou” toda a coleção do RUSH, via e-mule, e acha um desperdício comprar certos CDs (não o do Rush, é claro, que ele a-m-a), pois “a gente pode baixar da internet mesmo”...

Ter acompanhado todas essas tecnologias não significa que eu tenha entendido como funciona um fax (por mais que me expliquem, me sinto uma provecta senhora do século XIX, tentando entender como é possível que o que escrevo aqui, sai, COM A MINHA LETRA, lá do outro lado do Atlântico, através de um aparelho desses. Incrível, incrível, incrível!)

 
 

PARA UM ANIVERSARIANTE

Feliz aniversário. Sei que é difícil ter CINCO anos a mais que sua parceira, mas você vai conseguir superar...

Desejo que seus próximos anos sejam ricos de experiências válidas, que haja paz no seu coração e serenidade em sua alma.

Eu te amo, Silvio.

 
 

FESTINHA DE ANIVERSÁRIO

Domingo, foi aniversário de uma garotinha do Centro. Os pais dela não têm muito dinheiro e o pessoal do Centro fez uma festinha para ela: bolo, refrigereco e alguns balões. Uma coisa super simples, mas vocês PRECISAVAM ver os olhinhos dela. Meu Deus, e a gente cria complicação por tanta bobagem, exige tanto da vida!

Para a Elisângela, a festa foi uma surpresa mágica e inesquecível, ainda que tenha sido barata, barata... Há coisas que definitivamente não têm preço.

(O detalhe é que a festinha foi surpresa e aconteceu lá pelas 13 horas. Às nove e meia, ela já estava toda arrumadinha, com roupa da Hello Kitty, que a mãe colocou, para levá-la, depois, para o shopping - “ah, tia, hoje eu quero andar de escada rolante pra caramba”!).

Gosto tanto dessas crianças da Evangelização... Ontem à noite, sentindo as dores da gastrite, fiquei mentalizando os rostinhos de cada uma delas e isso me acalmou bastante, me fez mesmo conseguir dormir

 
 

PEQUENOS PRAZERES

Em Brasília, empresas de alimentação estão promovendo um “Roteiro Gastronômico 2005”, que vai até final de dezembro. Isso significa que muitos lugares legais da cidade estão dando descontos incríveis para determinados produtos.

Hoje, comemos yakissoba (como é que se escreve isso?) e sunomono (ai, meu Deus, não sei escrever essas coisas...). O desconto foi de 50%. Foi muito legal sair da rotininha e passar bem, por um preço camarada.

Foi melhor ainda porque ando chatinha para comer, pois “ganhei’ uma gastrite (na sexta, fui parar no posto médico do MEC e acabei levando duas injeções, para controlar a dor – estresse puro!).

Comi algo que me agrada, em boa companhia, e voltei para o trabalho refeita. Dez reais a mais podem fazer milagres...

 
 

PRÓXIMAS ETAPAS DO MESTRADO

Amanhã, escrevo minhas considerações finais. No resto da semana, termino de dar os últimos acertos na dissertação. Na semana que vem, mando para o Orientador. Ele devolve, faço as alterações que ele sugerir e posso dar andamento aos trâmites burocráticos para finalmente ficar livre. Acho que a gastrite está explicada, não é mesmo?

Diogo, parabéns pelo sucesso. UFMG! Você é mesmo fera, eu nunca duvidei. Agora, amigo, prepare-se que o que vem pela frente é pauleira, viu? Tenho até dó! (Tô parecendo aquelas crianças chatas da quarta série que falam para os amiguinhos da segunda: “vocês vão ver quando chegarem na quarta... tão achando que é fácil igual à segunda? Na quarta vocês vão aprender tudo sobre o corpo humano e é super difícil e vocês podem bombar e a matemática fica hiper complicada e cuidado que é quase certo de vocês levarem uma bomba imensa ”)

Beatriz, não desanime com meus comentários. Insista, que a sensação de ficar livre vale todo o esforço...

 
 

ATENDENDO A PEDIDOS

Hino ao amor
Edith Piaf
Composição: Edith Piaf


O céu azul sobre nós pode desabar
E a terra bem pode desmoronar
Pouco me importa, se tu me amas
Pouco se me dá o mundo inteiro


Desde que o amor inunde minhas manhãs
Desde que meu corpo esteja fremindo sob tuas mãos
Pouco me importam os problemas
Meu amor, já que tu me amas.

Eu irei até o fim do mundo
Mandarei pintar meu cabelo de louro
Se tu me pedires
Irei despendurar a lua
Irei roubar a fortuna
Se tu me pedires

Eu renegarei minha pátria
Renegarei meus amigos
Se tu me pedires
Bem podem rir de mim
Farei o que quer que seja
Se tu me pedires

Se um dia a vida te arrancar de mim
Se tu morreres, se estiveres longe de mim
Pouco me importa, se tu me amas,
Porque eu morrerei também

Teremos para nós a eternidade,
No azul de toda a imensidão
No céu não haverá mais problemas
Meu amor, acredite que nos amamos.
Deus reúne os que se amam.

 
 

TERCEIRA IDADE E HINO DO AMOR

Uma das atividades mais interessantes que fizemos, na viagem de outubro que fizemos para o Sul de Minas, foi ir com os pais do Silvio ao grupo de terceira idade do qual eles fazem parte.

Fui meio assim, para acompanhar os sogrinhos, e acabei curtindo de verdade o programa.

Uma vez por semana, o pessoal (todos velhinhos dignos, animados, bem-arrumados) se reúne para cantar.

Sinceramente, foi lindo. Senti uma energia maravilhosa, ouvindo aquelas pessoas, carregadas de história, de marcas, cantando e se divertindo.

Já fui a quinhentas “baladas” nas quais não senti tanta animação.

Legal também é o quanto eles foram gentis conosco. Uma senhora contou toda a vida para nós, antes da sessão começar. Outro, nos cedeu sua pasta (sim, cada velhinho vai com uma pastinha preta, com as músicas que eles costumam cantar). O maestro ofereceu uma música para o “casalzinho” que ali estava.

Fiquei emocionada. Meus olhos se encheram de lágrimas. Quem me conhece sabe que não me emociono fácil. É preciso “pauleira” para conseguir isso.

A música que ele nos ofereceu é o HINO DE AMOR. Tentei achar a letra na Internet, com esse título, para transcrever, mas não achei... Quando for a Lambari, vou descolar com meu sogro e posto aqui, para vocês verem como o Hino é hiper ultra romântico e melancólico.

 
 

Na segunda, almocei com três colegas, que também entraram no último concurso e que, portanto, ganham o mesmo salariinho que eu e estão morrendo de estudar para “subir na vida”.

- Vocês sabem o M.F.? – perguntei.

- Que M.F?

- Um, que está lá na Secretaria Tal, vocês conhecem?
Depois de uns 10 minutos, em que fiquei tentando explicar quem era o rapaz, dei a grande notícia:

- Pois é... ele passou no concurso de g-e-s-t-o-r. - Esse concurso é para um cargo com um salário muito melhor.

- É??? Que legaaaal!! – elas disseram, encantadas.

- Pois é... ele foi para A ILHA.

Começamos a rir. Realmente, a situação é muito parecida...

Para quem não entendeu a referência, fica a dica de um outro filme fantástico: A ILHA, lugar para onde todo o mundo quer ir, paraíso fantástico onde tudo são flores.

(Será?).

 
 

BATMAN BEGINS

É um filmaço. Amei cada segundo.

Como é a vida: o “Dança...”, achei que era legal e era ruim. Nesse caso, comecei a assistir com preguiça e acabei curtindo. É por essas e outras que é preciso cultivar a mente aberta e a disposição de experimentar.

 
 

DANÇA COMIGO?

Silvio doente, fui à forra na locadora e peguei o “Dança Comigo?”. Pensei:

- Richard Gere, filme sobre dança, deve ser legal. Vou aproveitar que o Silvio não pode descer escadas e vou pegar esse super mega açucarado-mor, sem que ele dê aquela cocadinha de cabeça “ai-meus-sais-o-que-me-espera?”.

Morri de arrependimento. Filme idiota, meu Deus!

Pensando bem, até que foi legal. Como o lado romântico era im-pos-sí-vel de considerar, aproveitamos o lado comédia.

Jennifer Lopez, fazendo uma cara pseudo-sensual, que é a mesma que faço quando vou ao banheiro, dando “lições-metafísicas-sobre-a-misteriosa-arte-da-dança-que-exige-profundidade-total”:

- Imagine que a pele da coxa dela é a sua razão de viver...

Pele, coxa, razão de viver... Como diria um colega de trabalho, morro e não vejo tudo.

(O legal é que, depois, o Silvio me deu umas aulinhas de dança, que a-mei. Estamos inclusive pensando em fazer dança de salão. Afinal, a coxa dele é quase minha razão de viver... ).

 
 

REFLEXÕES DE HOSPITAL IV

Minha mãe, por telefone:

- Filha, mas o Silvio não podia ter subido escadas. Ah, e ele não pode dirigir nesses próximos 30 dias. E sexo, esquece, só daqui três meses, viu? Cês são novos, vão abusar e ele fica aleijado pelo resto da vida...

- Mas, mãe, o médico falou que não tem nada disso. E ele é médico, né? Ele é que sabe das coisas!

Ela responde, na lata:

- Ele é que sabe, mas a gente é que ama. Você acha que médico ama o Silvio como você? – (ainda bem que não ama, né?)

Achei lindo o que ela falou. Lindo e profundo.

(Ma-ma-ma-masssssss, mainha, TRÊS MESES?)

 
 

REFLEXÕES DE HOSPITAL III

Foi a primeira vez na vida em que não dormi duas noites seguidas. Fiquei impressionada com a minha resistência.

O amor tem feito coisas...

 
 

REFLEXÕES DE HOSPITAL II

Conversávamos sobre o quanto somos privilegiados. Ele tem um bom plano de saúde e ficou num hospital legal (descobri agorinha que é o hospital onde aquela mulher roubou o filho da outra... qual é mesmo o nome dela? O nome do menino é “Pedrinho”. Olha o risco que eu corri: podiam roubar meu bebê!), um quartão, com TV, banheiro privativo, enfermeiras solícitas, nutricionista toda hora querendo saber se ele estava satisfeito...

Minha mãe, quando fez a mesma cirurgia, ficou numa enfermaria, com três outros pacientes vomitando as tripas e tossindo a noite toda, com banheiro compartilhado, sem direito a acompanhante (só visitinha de 30 minutos, uma vez por dia), tendo que implorar para a enfermeira trocar o soro. Essa é a situação da maioria absoluta dos brasileiros, daqueles que até tiveram sorte, conseguiram um leito e não morreram num corredorzinho escuro, esperando atendimento.

Faço muito esforço para não perder essa dimensão, sabe? O conforto, às vezes, nos anestesia e deixamos de cultivar gratidão a Deus e responsabilidade social.

 
 

REFLEXÕES DE HOSPITAL I

Levei o maior susto. O Silvio estava super bem, alegrinho e, no dia seguinte, está numa maca, sendo levado para um centro cirúrgico.

O pior momento para mim foi quando ele tirou a aliança, pois não podia ser operado com ela. Achei tão triiiste, desalentador... Logo que voltou para o quarto, enfiei a aliança de novo no dedo dele, aliviada.

 
 

AVENTURA

Quarta-feira passada. Feriado. Dia tranqüilo, em casa, estudando e namorando.

À noite, cursinho de regimento interno da Câmara Legislativa.

Primeira parte da aula: Silvio me reclama baixinho: “to passando mal”. Acho que é do estômago”.

Intervalo: comemos alguma coisa e voltamos para a aula.

05 minutos depois do início da aula: Silvio se levanta.

Vamos para o hospital. Ele toma três remédios na veia e voltamos para casa.

A dor não passa.

Voltamos para o hospital.

Ele faz um ultrassom.

Era apendicite, com direito a umas pedrinhas na vesícula.

O rapaz está agora em casa, de molho, se recuperando, depois de retirar vesícula e apêndice.
Esse menino precisa se benzer: pé quebrado, pequi engolido, apendicite.

Dizem que desgraças vêm sempre três a três. Espero que a cota do Silvio tenha terminado!

 
 

BOAS NOTÍCIAS

Estou em dívida total e irrestrita com vocês, queridos leitores. Meu último post foi algo muito triste, sobre a morte de 05 ex-alunos meus. Fiquei tão chateada com a história que não tive coragem de pegar um telefone e confirmar se eram eles mesmos. Fui ouvindo um punhado de gente contando, os nomes batiam, um deles era mesmo participante do grupo e fiz minhas deduções.

Depois de mais de uma semana de pesar, o Silvio se animou a ligar para um amigo da turma e, surpresa, apenas 01 era participante. Os outros estão bem vivinhos, graças a Deus.

Fiquei super feliz, mas, logo depois, caiu minha ficha: não eram os meus amigos, mas eram amigos de alguém.

Pensei em eliminar o post, mas decidi deixar, em homenagem àqueles que ali morreram. Mesmo não sendo tão próximos como imaginei, merecem nosso carinho. Que descansem em paz!

 
 

LIÇÃO

Nessa viagem que fiz à minha terra, recebi uma notícia horrorosa. Houve um acidente de carro, no qual cinco adolescentes foram de encontro a um caminhão. Ninguém sobreviveu.

Eles participavam do grupo de jovens que eu coordenava. Eram todos lindos, cheios de vigor.

Mesmo sendo espírita e, portanto, ter um pouquinho de fé sobre a continuidade da Vida, reconhecer a fugacidade do tempo que passamos na Terra e a fragilidade do corpo material, fiquei chocada.

Eram meus amigos, pessoas para as quais dei muito discurso do tipo “vocês ainda vão ter tempo para fazer isso, quando ficarem mais velhos, mais estruturados".

Eles não tiveram tempo.

Quando vim para Brasília, eles queriam gastar o dinheirinho que tínhamos juntado para viajar e fazer uma vivência de PNL, que não daria mais tempo para fazer, participando de um rodízio de pizza. Achei um absurdo e guardei o dinheiro, para eles usarem de um jeito menos imediatista.

Nossa, como senti remorso. Ainda bem que tenho uma mãe prática, que me disse: “só faltava essa agora, Issana, você com remorso. Você fez tanto por eles, comprava bolo, fritava toneladas de pipoca para eles assistirem a filminhos, viajou com eles. Não tem que se cobrar isso, não!”

Isso me reconfortou bastante. Entretanto, fica a lição, que é super óbvia, todo o mundo repete, mas que agora é fundamental para mim: faça AGORA o que tem que ser feito pelas pessoas. Não perca as oportunidades, pois essas pessoas podem estar, daqui a poucos meses (ou horas), esmagadas, de olhos arregalados, debaixo de ferragens. Mesmo se tiverem 17 anos.

Enfim, ganhei 05 amigos espirituais a mais. Que estejam em paz e me aguardem, até
porque, mais cedo ou mais tarde, para onde eles foram todos nós vamos...

 
 

CABELO NOVO

Fiz luzes e cortei mais curtos meus cabelos. Acho que o efeito ficou legal. Pelo menos, tenho recebido altos elogios. Incrível como uma mudancinha (não tão –inha assim, considerando que nunca havia tingido os cabelos...) pode fazer tanta diferença.

Quando tiver uma chance, coloco foto do novo visual.

“A minha voz é a mesma, mas os meus cabeeelooos...” .

 
 

BATERIAS RECARREGADAS

Fui para o Sul de Minas. Nossa, como estava precisando de uma pausa. Descansei os olhos nas montanhas, ouvi muito sapo, à noitinha, do lado de fora da casa dos meus sogros, comi comidinha da mamãe, visitei amigos, dormi até tarde...

Estou de energias refeitas. Agora, pra variar, é pauleira total: providências para o mestrado (alterações e mais alterações, textos para ler e completar o quadro teórico, acertos práticos, ufa!), até o Natal, concurso para a Câmara Legislativa e para o Banco Central, com mil matérias para estudar e uma vontade maior ainda de passar e começar a ganhar melhor.

Tenho certeza de que, sabendo me organizar, vou conseguir fazer tudo. Quando a pressão aumentar, é só fechar os olhos e lembrar que, por mais extensos que sejam os momentos difíceis, sempre haverá dias e noites suaves me esperando, logo ali, no futuro.