Tesouro
Este início de ano tem sido especialmente carregado de experiências de resgate à memória de antepassados. . Cito como exemplo alguns cartas de que tive notícia. Explico-me.
Ocorre que meu namorado tem berço espírita: o bisavô trouxe as luzes do Espiritismo para Monte Carmelo (MG) e o avô tocou, por toda a vida, um centro, bem como inúmeras atividades beneficentes. Monte Carmelo é uma cidade do Triângulo Mineiro (ou “grudada” no Triângulo; não sou muito boa de geografia!) e fica muito próxima, portanto, do “Circuito Espírita” do século passado. Como alguns de vocês sabem, foi ali que, no século passado, um grupo muito vibrante de espíritos iluminados nasceu, para divulgar e sedimentar a Doutrina Espírita no País. Esses espíritos viveram e conviveram num raio de mais ou menos 300 quilômetros, num mesmo período histórico, em cidades pequeninas e em sociedades profundamente influenciadas pelo Catolicismo, e alguns ficaram bastante conhecidos, tais como Eurípedes Barsanulfo e Francisco Xavier.
A comunicação entre esses pioneiros era realizada através de cartas, essa tecnologia que, hoje em dia, parece-nos obsoleta e demorada. Que faziam as pessoas? Encontravam-se de quando em nunca, e a única alternativa era trocar missivas e mais missivas, que levavam semanas para ir e vir, mesmo em distâncias tão curtas. Não foi diferente com o já citado Chico Xavier, que manteve, por anos e anos, uma intensa correspondência com amigos e confrades. Um desses confrades era exatamente o avô do namorado, o Sr. Jorge Fernandes, que chegou, inclusive, a receber o Chico em casa, numa das visitas que o médium fez a Monte Carmelo.
Bem, toda essa introdução é para contextualizar, principalmente para os não-espíritas, o valor que têm algumas cartas, enviadas pelo Chico ao Sr. Jorge. A sogra colocou essas cartas sob minha guarda, vejam só que honra – e responsabilidade. Ainda não as li (o amado leu alguns trechos, mas ainda não pus a mão no material), mas pensem nisso: é a letrinha do Chico, é o carinho dele pela família do amigo, é prova material de que ele não era um ET, descolado do tempo e do espaço, mas uma pessoa que, como nós, fez amigos e se preocupou com as tarefas da repartição. Trata-se, enfim, no meu pálido entendimento, de material histórico de primeira, que vou colocar numa pasta e guardar com muito carinho.
(Obrigada, querida sogra, pela confiança.)